sábado, 7 de junho de 2008

Coisas... do neto Nuno


Quando o meu neto Nuno, de 4 anos, fica doente com febre ou qualquer outra coisa, habitualmente vem aqui para casa, e dorme cá, pois o Miguel e a Teresa têm muita dificuldade em faltar ao serviço.
Ele próprio, quando fica doente diz para os pais:
“ Tenho que ir para casa da avó Viviana porque estou doente, e ela sabe tratar melhor de mim que vocês, porque é “doutora” e vocês não”! ( fui enfermeira de saúde infantil)

A última vez que esteve cá, foi há cerca de duas semanas. Eu estava sentada ao lado dele no sofá a ver desenhos animados, e peguei num pacote de batatas fritas e comi algumas, e ele olhando-me muito sério disse: “Ò avó, tu não podes comer batatas fritas”. Perguntei-lhe porquê, e ele respondeu: “ Porque faz mal”!
Daí a bocado eu estava a comer uma maçã, que descasquei e cortei em quatro, ele vira-se para mim e diz-me: Ò avó, tu não podes descascar a maçã, tens que lavá-la e comer com casca porque a casca faz bem” Perguntei-lhe então quem é que lhe tinha ensinado aquilo, ao que ele respondeu que foi na escolinha.
À tarde, fui fazer uma massa para pizza, e ele quis ajudar, como sempre que eu cozinho.
Subiu para cima de uma cadeira e quis esticar a massa com o rolo e eu deixei, então não é que o rapaz sabia toda a técnica, e tinha um jeitinho muito especial para esticar a massa!? Fiquei espantada e perguntei-lhe quem lhe tinha ensinado e ele respondeu: “Foi na escolinha”.
Quer dizer, a “escolinha” está a ensinar coisas muito interessantes ao Nuno, de tal maneira que ele com quatro anos já ensina coisas á avó de 67!
Acho que as coisas estão mesmo a mudar!
Que bom que assim é!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A noite em que os grilos fugiram


Quando eu era criança, todos os verões ia com o meu irmão apanhar grilos ao campo.
Era um hábito comum a quase todas as crianças.

O grilo, (Gryllus campéstris) vive em pequenas tocas nos campos, e gosta de cantar num pequeno terreiro á frente da sua casa, de dia ao sol e durante a noite. Geralmente cantam a noite inteira.

Apanhávamo-los com uma pequena palheta (erva) que os fazia sair das tocas recuando.
Preparava-mos pequenas gaiolas feitas de canas que tapávamos com uma rolha de cortiça e alimentávamo-los com serradela (uma pequena planta) que assim se chamava porque tinha as folhas serradas.

Um belo dia, ao entardecer, trouxemos vários grilos para casa, e guardámo-los dentro de uma pequena caixa, para no dia seguinte os repartirmos pelas várias gaiolas que iríamos fazer.
Vivíamos numa casa antiga com soalho de madeira, que tinha pequenas frinchas no chão. Não sabemos bem como, mas aconteceu que os grilos escaparam-se da caixa durante a noite e se enfiaram nas frinchas do chão… e cantaram a noite inteira não deixando dormir ninguém!
Aliás, eles cantaram noites e noites seguidas, porque era impossível tirá-los de lá.

O nosso pai fartou-se de ralhar connosco e daí para a frente começámos a ter mais cuidado com os nossos grilos.

Claro que se fosse hoje, nunca seria capaz de prender um grilo numa gaiola! Mas quando a gente é criança faz cada coisa!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Amemos e acarinhemos a Família que Deus nos deu


Duma maneira geral, procuramos ser simpáticos e amáveis com as pessoas com quem lidamos, quer seja os colegas de trabalho, da escola, da Igreja, etc., mas… quando chegamos a casa ou estamos com os “nossos”… aí muitas vezes a coisa muda.

De repente, ficamos sem paciência, sem vontade de falar, deixamos de sorrir, e tratamo-los com muito pouco consideração, como se costuma dizer: “Com sete pedras na mão”!

E porquê?

Creio que o facto resulta de que “na rua”… usamos máscaras!
Queremos parecer e ficar muito bem vistos, perante os olhos e opiniões dos outros.

Já em casa, habitualmente deixamo-nos disso, e mostramo-nos tal qual somos… ao natural e permitimos que venha ao de cima e nos dominem, todas aquelas atitudes e coisas… que há de pior em nós.

Temos que ter a noção de que isso é muito injusto.
Claro que é desejável que tratemos bem e sejamos simpáticos com “os de fora”, mas nunca, por nunca ser, deveremos de deixar fazer o mesmo, ou melhor ainda… com os “nossos”, porque afinal são os que mais perto estão de nós, e nos apoiam e ajudam e amam e querem mais que ninguém o nosso bem.

A vida é tão curta, passa tão rápido, porque haveremos nós de a desaproveitar sabendo que de um momento para o outro algum de nós pode “partir” sem nunca termos amado, estimado, acarinhado, tanto quanto deveríamos, aqueles que Deus nos deu por família.

Vamos ser prudentes. Vamos dar o verdadeiro valor e estimar e amar com todo o nosso coração a linda família que Deus providenciou com carinho para nós.

Quantas vezes eles precisam tanto de um palavra amiga, de um sorriso, de um “amo-te muito”, de um elogio, de um toque no rosto, de uma mão no ombro, de um abraço, de uma flor, de um pequeno presente…

Custa tão pouco! E vale tanto!

Não tenhamos medo nem vergonha, de abrir o coração e a boca, e encher de mimos aqueles que são sangue do nosso sangue ou que não o sendo, nos amam e nos querem mais que ninguém.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Junho


Vem a noite, os campos estão calmos.
O murmúrio do regato sedento,
Inaudível durante o dia, cresce de novo.
Deserta está a planície semi – ceifada,
Silenciosos os carreiros! As ruidosas carroças,
O grito do ceifeiro, o latido dos cães,
Todos recolhidos nas quintas adormecidas!
Acabou o trabalho do dia,
Já partiu o último ceifeiro.
E do tomilho lá do monte
E das flores brancas do sabugueiro
E dos pálidos rosais da sebe
E da hortelã - pimenta da junca,
Sopra como bálsamo a brisa nocturna,
O perfume que o dia prenuncia.
E lá longe, no horizonte puro,
Vede como palpita, com as primeiras estrelas,
O líquido céu sobre as colinas!
Vem a noite, os campos estão calmos.

(Matthew Arnold)
Poeta inglês - 1822/1888

terça-feira, 3 de junho de 2008

Os primeiros namoricos




A minha neta Sara que mora no piso de cima, adquiriu o hábito, já desde o inicio da vida escolar, de quando desce para ir para a escola de manhã cedo, tocar a campainha da nossa porta para nos desejar um bom dia.

Eu e o Jorge vamos á porta, e eu costume dizer-lhe: Olá minha neta linda!

Dormiste bem? Vais muito bonita, nesse tom de azul e rosa! Um bom dia para ti.
“Um bom dia para vocês também,” diz ela.

Um destes dias quando já ia a descer os degraus, voltou para trás, olhou para mim disse - me: “Ò avó, tu quando eras da minha idade (9anos) tiveste algum namorado?”
Acho que sim, que tive, respondi eu.” Na escola?” perguntou ela. Sim, na escola. “È que eu já tenho um!”

Ah sim? Que giro! disse eu.

Ela sorri toda contente e eu sugiro-lhe:
Olha, se por acaso te apetecer falar sobre isso com avó, vens cá quando quiseres.
Ela respondeu.” Então eu passo por aqui talvez logo á tarde para conversarmos um bocadinho.”
Certo, respondi eu, vem quando achares melhor.

E ela lá foi escada abaixo, toda sorridente a cantarolar uma canção.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Prospecção


Não são pepitas de oiro que procuro.
Oiro dentro de mim, terra singela!
Busco apenas aquela
Universal riqueza
Do homem que revolve a solidão:
O tesoiro sagrado
De nenhuma certeza,
Soterrado
Por mil certezas de aluvião.

Cavo,
Lavo,
Peneiro,
Mas só quero a fortuna
De me encontrar.
Poeta antes dos versos,
E sede antes da fonte.
Puro como um deserto.
Inteiramente nu e descoberto.
(Miguel Torga

domingo, 1 de junho de 2008

Porque hoje é domingo...(7)



Vinde, cantemos ao Senhor; jubilemos á rocha da nossa salvação.

Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremo-lo com salmos.

(Salmo 95: 1 e 2)