sexta-feira, 7 de julho de 2017

Aconteceu faz hoje 111 anos

Uva de cão. Fonte da imagem:://ataijadecima.blogspot.pt 

7 de Julho de 1906

«Fui de bicicleta até Knowle, passando por Widney.  Agora as moitas estão cheias de flores silvestres. Vê~em-se magníficos exemplares de rosas de - cão, quer da variedade temporã quer da branca rasteira. Em muitos sítios as moitas estão engrinaldadas de coroas de uva-cão e madressilvas.

       A Madressilva - Foto pessoal tirada em Mira-Sintra
As flores cor-de-rosa pálido da silva e os grandes conjuntos brancos de flores de sabugueiro destacam-se nitidamente.
Abaixo delas vêem-se as altas flores cor-de-rosa da dedaleira


e as espigas e e infrutescências de diversas espécies, dobradas sob a carga do polen., como a flor do trevo
Trevo encarnado. Fonte da imagem: http://obotanicoaprendiznaterradosespantos.blogspot.pt/
Em Widney, em muitos sítios, os lameiros ficaram tingidos de azul pelas altas orelhas de rato floridas e as ribanceiras estão repletas das espumosas flores de cor creme das esponjeiras do Japão.
Esponjeira do Japão . Fonte da imagem: http://www.dicionarioinformal.com.br/
Num  campo semeado de trigo vi algumas flores de dormideira. As suas grandes flores lilases formavam belas manchas entre o verde das folhas.»
Dormideira. Fonte da imagem: https://www.vegetall.
 (No livro - A  Alegria   de viver com a Natureza  - De Edith Holden)               

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Com muito atraso - In Memoriam - "Senhor Manuel da Música"

 
O "Senhor Manuel da Música" e eu - num convívio na Sociedade Recreativa de Maceira
Hoje, com bastante atraso em relação à sua partida para a eternidade (o4/o1/2017)  por desconhecimento do facto,  quero homenagear, aqui neste humilde  espaço, este grande homem - "O Senhor Manuel da música", ou , Sr. Manuel Dias Pereira, de seu nome próprio.

Já o apresentei aqui neste espaço, no dia oito de Junho de 2010  - pode clicar e ver aqui.
Por uma questão de facilitação, transcrevo aqui  o citado texto:
«O senhor Manuel Dias Pereira, mais conhecido na aldeia de Maceira (a minha aldeia) por "senhor Manuel da Música," é um homem admirável que ama verdadeiramente Maceira e a sua gente, e que, por sua vez, é acarinhado e muito, muito estimado por toda a gente da terra.
Ele é, há mais de cinquenta anos, o grande impulsionador e orientador da parte musical e coral da Sociedade Recreativa "Os Alegres de Maceira." Ainda agora, com 95 anos, ele dá a sua extraordinária colaboração e apoio, a sua imensa alegria e entusiasmo aquela Sociedade. Ainda neste ultimo Natal, no tradicional almoço que se realiza há mais cinquenta anos, sem interrupção... um dos momentos altos foi quando o senhor Manuel da Música subiu ao palco para cantar a solo Hino de Maceira. Foi comovente e muito belo.
É beirão, residente há muito anos na zona de Mafra. Tem vários livros publicados, sendo um deles - Viver a Cantar - uma colectânea de Canções do Grupo coral de Maceira. É deste livro que publico hoje aqui o "Vira de Sintra."
Tenho um carinho muito especial por este grande homem, e um enorme prazer em conversar com ele e, sobretudo, em ouvi-lo. É uma fonte de sabedoria.
Agradeço a Deus por a sua preciosa e laboriosa vida e por ser a pessoa linda que é.
Desejo muito que o senhor Manuel da Música continue connosco ainda por muitos anos, com saúde - a dele parece de ferro - e com muita alegria.
De todo o coração quero dizer-lhe:
Muito, muito obrigada, meu bom e estimado amigo, por tudo quanto fez e está a fazer por Maceira e por o seu povo.
Bem haja»
Da sua autoria publiquei no mesmo texto este "HINO DE MACEIRA" . 

MACEIRA É ISTO!...

Maceira, tão pequenina
Posuis a graça divina
Que nos traz a alma presa:
Estrela caída dos céus
És um sorriso de Deus,
O fruto da natureza!...


Desde a serra á Segueteira,
Nesta risonha Maceira,
Nós vemos por toda a parte:
Melodia peregrina,
Onde a natureza ensina
Segredos da sua arte!

Tens o arco, tens a gruta
Tens até na rocha bruta
Uma figueira viçosa,
Em cujas sombras singelas
Fazes ter, em tardes belas,
Doces sonhos cor- de - rosa!

Tui és pérola de anil
És uma deusa a sorrir
Num sorriso jovial;
O teu mármore azulino
É do mármore mais fino
Deste nosso Portugal!...

   REFRÃO
Maceira,
Jardim de beleza e cor,
Cofre dos nossos segredos,
Que ocultas entre os rochedos,
Doces primícias de amor!

Maceira,
Berço dos nossos avós,
És um bem que a alma encanta,
És a prece sacrossanta
Que grita dentro de nós!...(bis)

PARA FIM

Maceira é isto...
É isto e... muito mais!

Manuel Dias Peeira(Sr. Manuel da Música)
no livro -VIVER A CANTAR
Canções do grupo Coral de Maceira

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Pois bem, esta, creio ter sido a última vez que estive com o "Senhor Manuel da Música" .

Telefonava-lhe regularmente  para saber da sua saúde, e  habitualmente, ficávamos um bom tempo a conversar. Era para mim um enorme prazer ouvi-lo falar. Tinha muita experiência da vida  e como homem cristão  evangélico da Igreja Adventista,  a sua conversação  versava invariavelmente, sobre   o Evangelho de Cristo, o que muito me agradava.

Há cerca de um ano atrás, deixou de atender o telefone. Tocava, tocava, mas nada.
O senhor Manuel era viúvo e vivia sozinho numa vivenda à entrada de Sintra, perto do cemitério de São Marçal.

Perguntei aos   amigos de Maceira, se sabiam o que lhe teria acontecido, mas ninguém me sabia dizer.
Lembrei-me de pedir ao meu marido, pastor evangélico, para contactar a Igreja Adventista mais próxima, mas sem qualquer resultado. 
Continuei sempre a interceder por ele nas minhas orações matinais, contudo havia em mim um desejo muito grande de saber dele, o que não consegui. Claro que isso entristeceu-me, e andava com o meu coração  um tanto apertadinho, até que, há cerca de uma semana, precisando de encontrar uma foto que publicara no meu blogue, sobre determinado assunto,   via Google,  pesquisei, e abrindo-se toda uma página com o "Olhaioliriodocampo",   no fim da página, os meus olhos "bateram", num site  com o seguinte título: "Morreu o Senhor Manuel da Música". Era de um Jornal de Sintra. Claro que logo entrei no site e encontrei a notícia. Afinal, a morte do Senhor Manuel ocorrera já no dia 4 de Janeiro de 2017, e o seu funeral  teve lugar no dia 5. Informava ainda, que por sua expressa vontade,  quis ser velado na Casa Velatória de Maceira e sepultado não no Cemitério de S. Marçal, junto da sua casa, mas, no Cemitério de Montelavar onde são sepultadas pessoas de Maceira.

Faria 100 anos daí a dois meses.

Podem imaginar como eu fiquei...
Pouco tempo depois, não resisti ás lágrimas e chorei abundantemente. Sozinha em casa.

Quando  chegou o Jorge e o filho Zé, contei-lhes o que eu houvera descoberto.
Combinei logo com o Zé, no dia seguinte quando fosse ao cemitério de Montelavar, onde habitualmente vou todas as semanas   cuidar do lugar de repouso do meu pai e da minha mãe, que haveria de ir procurar a campa do Sr. Manuel da Música. Assim fiz, só que no lugar dos enterramentos de Janeiro passado, nada encontrei.  Pertinho da campa da minha mãe, estava uma senhora que eu já conheço de a encontrar  por ali, e perguntei-lhe se ela sabia onde era a campa. Ela não sabia mas indicou-me um senhor que ali perto lavava uma campa, dizendo-me que ele era de Maceira e saberia dizer-me certamente. Assim fiz. Perguntei ao senhor, tendo-me ele indicado o local onde repousa o meu amigo. 
Levava comigo um pequeno raminho de alfazema, atado com uma fitinha de seda azul celeste, que juntei a um pequeno postal onde escrevi algumas palavras dedicadas naturalmente, ao senhor Manuel, e levei ainda, um bonita pedra mármore branca de Maceira, para colocar sobre o postal e o raminho para que o vento o não levasse. 
Agora, imaginem: Eu, diante da campa do meu amigo, em absoluto silêncio, debaixo de um fabuloso "céu azul e branco".   Pensei nele, dei graças a Deus por a vida dele, e sorrindo, saí dali, com  uma situação  que trazia sofrimento, resolvida. Encontrei o meu grande amigo - SENHOR MANUEL DA MÚSICA:

A este texto, que vai longo, acrescento: O jornal de Sintra que publicou a notícia da morte da "Senhor Manuel da Música", usou a fotografia acima,  recortando só o meu amigo. Por baixo da foto publicou a fonte: Olhaioliriodocampo.

Quem diria? que aquela foto que tirei com ele num almoço convívio, viria a ser a foto usada para anunciar o seu falecimento...
Acontecem coisas!...

quarta-feira, 5 de julho de 2017

In Memoriam - Dr. Miguel Beleza


 O Economista Dr. Miguel Beleza. Fonte da imagem:  http://www.cmjornal.pt/.

«Ex-ministro das Finanças tinha 67 anos e morreu vítima de paragem cardiorrespiratória, adiantou ao DN fonte próxima da família
A mesma fonte referiu que Miguel Beleza ainda foi assistido pelo INEM, em casa, mas em vão

Miguel Beleza, que hoje morreu aos 67 anos, licenciado em Economia, desempenhou os cargos de ministro das Finanças no XI Governo Constitucional (1990-1991) e de Governador do Banco de Portugal entre 1992 e 1994
.
Nascido em Coimbra, a 28 de abril de 1950, filho de José Júlio Pizarro Beleza e de Maria dos Prazeres Lançarote Couceiro da Costa, Luís Miguel Couceiro Pizarro Beleza era irmão de Leonor Beleza, ex-ministra da Saúde e presidente da Fundação Champalimaud, e da juíza Teresa Pizarro Beleza e de José Manuel Beleza.»
 ( http://www.dn.pt/ - 22/6/2017)

NOTA PESSOAL

Considero  uma grande perda  a morte do Dr. Miguel Beleza. Como pessoa  interessada e atenta  no dia- a- dia do meu país, desde há longos anos que acompanhei com interesse a vida deste português célebre, que   se empenhou com afinco, usando o seu muito saber, no desenvolvimento de Portugal., na área da economia e finanças.

 Como ser humano, guardo dele uma boa memória. Era um homem bom, tranquilo, não maldizente, e sempre disponível  para ajudar o país a ir para a frente.
Lamento que tenha partido tão cedo, pois, segundo creio, ainda tinha muito para nos dar. mas,  a este respeito, como mulher crente que sou,  acredito que a partida de cada um de nós, é da concreta soberania de Deus. Acredito também, que o tempo de Deus não é o nosso tempo. Nada nem ninguém poderá alterar  isto.

Agradeço ao Deus Criador, a vida do Dr. Miguel Beleza, e desejo que ele,"descanse dos seus trabalhos e as suas obras o sigam"
À sua família, incluindo a Drª Leonor Beleza,  pessoa que muito admiro, apresento as minhas sentidas condolências, e oro, para que possam ser consolados e confortados pelo Senhor Deus de Amor.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Um Poema de Miguel Torga - A PALAVRA

 A urze do monte. (torga, de Miguel Torga).Fonte da imagem:http://arquitecturadouro.blogspot.pt 

A PALAVRA

«Falo da  natureza.
E nas minhas palavras vou sentindo
A dureza das pedras,
A frescura das fontes,
O perfume das flores.
Digo, e tenho na voz
O mistério das coisas nomeadas.
Nem preciso de as ver.
Tanto as olhei,
Interroguei,
Analisei
E referi, outrora,
Que nos próprios sinais com que as marquei
As reconheço agora.»

(Miguel Torga - no livro - Antologia Poética)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

MOSTARDAS

A planta da mostarda.  Fonte da imagem: httpshortajardimnavaranda.wordpress.com

 Brassica e Sirapis
    Mostardas

«Conhecidas desde tempos pré-históricos, as mostardas sempre tiveram várias utilizações: no século I d.C., o escritor Plínio fez uma lista de quarenta remédios que tinham  mostarda como ingrediente principal. O nome destas «ervas»  deriva de mustus (vinho novo que os romanos misturavam com a semente)  e de ardens (ardente) . Os mesmos romanos serviam mostarda com todos os pratos  que é possível imaginar. As suas folhas desenvolvem-se tão depressa que se dizia que a salada crescia  para o jantar  enquanto a carne assava. A crença nos seus poderes afrodisíacos fez com que a mostarda fosse incluída nos elixires do amor.  A semente da mostarda-negra (B.nigta) é a que tem o aroma mais intenso, a B. juncea é  a mais fácil de colher e a semente da mostarda-branca (Sirapis alba) é a que se conserva melhor.

Utilização

Na culinária

«Semente»  (Mostarda negra ou B. juncea)  Para fazer molho de mostarda: Adicionar água fria à semente moída ou em pó e deixar descansar durante dez minutos. (Mostarda  - branca) usar nas conservas, como conservante, e na maionese, como emulsionador.

FLOR - Misturar nas saladas

FOLHA - Misturar as folhas novas e tenras em saladas.

Na medicina - Em pó em cataplasmas, para aliviar a dor e a inflamação provocadas pelo reumatismo, artrite e frieiras.

Nota: A semente da mostarda pode irritar as peles sensíveis.

(No livro - Guia prático das plantas aromáticas - Lesley Bremness)
Uma oferta do meu marido no Natal de 2002.

domingo, 2 de julho de 2017

Porque hoje é Domingo (446)

A Palavra de Deus exposta, na Casa de Oração da Ig.Ev. Bap. de Morelena - Sintra

«No sábado seguinte, quase toda a população da cidade foi ouvir  a palavra do Senhor. Quando os judeus viram tanta gente, ficaram cheios de inveja e começaram a contradizer Paulo e e a insultá-lo. Mas Paulo e Barnabé disseram-lhes com toda a coragem: «Era necessário  anunciar-vos a palavra de Deus, a vós em primeiro lugar. Mas uma vez  que a rejeitaram e não se acham merecedores da vida eterna, então vamos virar-nos para os que não são judeus. Esst é a ordem que o Senhor nos deu:
Coloquei-te como uma luz para os pagãos,
para que leves a mensagem da salvação ao mundo inteiro.»
Ao ouvirem isto, os não-judeus ficaram muito contentes e começaram a glorificar a palavra do Senhor. E todos os que Deus escolheu para a vida eterna creram na sua palavra. Assim se espalhou a mensagem do Senhor por toda aquela região. Mas os judeus  falaram com algumas mulheres mais religiosas e respeitadas, e com os homens importantes da cidade, e convenceram-nos a perseguir Paulo e Barnabé, até os expulsar da região. Então os apóstolos  sacudiram  a poeira dos  seus pés, em sinal de protesto contra eles, e foram para a cidade Icónio. Entretanto, os discípulos de Antioquia ficaram cheios  de alegria e do espírito Santo.»

 (Livro dos Actos dos apóstolos  cap. 14:44 a 52)

sábado, 1 de julho de 2017

Um poema de Florbela Espanca


«Eu queria mais altas as estrelas,
Mais largo o espaço, o Sol mais criador,
Mais refulgente a Lua, o mar maior,
Mais cavadas as ondas e mais belas;

Mais amplas, mais rasgadas as janelas
Das almas, mais rosais a abrir em flor,
Mais montanhas, mais asas de condor,
Mais sangue sobre a cruz das caravelas!

E abrir is braços e viver a vida:
 - Quanto mais funda e lúgubre a descida,
Mais alta é a ladeira que não cansa!

E, acabada a tarefa... em paz, contente,
Um dia adormecer, serenamente,
Como dorme no berço uma criança!»

(Florbela Espanca - no livro -  Clássicos da Língua Portuguesa)