terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A um rato - um poema de Robert Burns


 A um rato

" Ó animalzinho tímido e receoso
o pânico palpita  no teu peito!
Para quê fugires de mim
                com tanta pressa,
se não te quero caçar
                    nem matar!

Sei que me podes roubar.
E depois? Não vais morrer por isso!
Uma espiga de vez em quando...
                 bem pouco pedes!
Serei abençoado pelo amor,
                    nunca perderei!

Viste ficarem áridos e desertos os campos
e depressa chegar o incomodo inverno .
Aqui, sob a rajada de vento,
      pensaste encontrar guarida,
até que, zás!, o cruel arado
               desfez a tua toca.

Mas, rato, não és o único
a ser atraiçoado pela previsão.
O melhor projecto, do rato ou do homem,
                      muitas vezes falha,
apenas deixando dor e sofrimento,
          em vez do prazer prometido.

Lamento que o domínio do homem
tenha rompido  a união social da Natureza
       e justifique o mau conceito
                 que te fez recear-me,
ó pobre companheiro, terrestre
          e mortal, meu semelhante.

Também a  tua casita está em ruínas,
e as tuas frágeis paredes caem sob os ventos.
   Precisas de construir outra,
                           de musgo verde,
pois virão os gélidios ventos de Dezembro,
                        cortantes e agrestes.

Reunir esse montão de folhas
foi para ti um trabalho bem penoso,
mas agora estás cá fora,
                 sem casa ou tecto
que te proteja da geada invernal
                         e da gélida neve.

Mesmo assim és feliz, comparado comigo,
pois só o presente te atinge.
Ai de mim, que olho o passado
                     e vejo desolação
 e o futuro, embora não o veja,
                    advinho e temo.

Robert Burns - 1759 - 1796
no livro - A Alegria de Viver com a Natureza - de Edith Holden

Nota:
Se quiser  saber mais um  pouco sobre o poeta, aqui ficam alguns dados.

Há 256  anos,  em Syr, na Escócia, nascia Robert Burns, poeta, que viria a receber o título de "Filho da Escócia"  porque em muitos dos seus poemas, exalta a aua terra natal com um fervor incomparável. Filho de lavradores pobres, Burns não teve muitas oportunidades  para estudar e se trnsformar num  autodidata, buscando por conta própria os devidos apromoramentos para a sua escrita.

3 comentários:

Fmaria Mesquita disse...

E a sensibildade da Viviana a buscar estes poemas tão verdadeiros. beijinhos
espero que esteja de animo forte

Viviana disse...

Olá, Fernanda

Que agradável surpresa!
Obrigada pela visita e pelas suas gentis palavras.
Um abraço
Viviana

Angelica Micoanski disse...

Uma poesia super difícil de se ler no original, adorei sua tradução!!
Obrigada por compartilhar! =)