segunda-feira, 23 de julho de 2012

As ausências no funeral do Dr. José Hermano Saraiva


  O Secretário de Estado da Cultura - Francisco José Viegas --que não esteve no funeral do Dr. José Hermano Saraiva.


Não pude deslocar-me a Setúbal para prestar a minha ultima homenagem áquele que foi um grande português, um grande homem, um grande historiador, o maior comunicador que conheci, um homem bom. Gostaria de lá ter estado mas não pude. No entanto, procurei seguir de perto, pelas notícias e pela televisão a forma como decorreu o seu funeral.
Esperava eu, naturalmente, que fossem muitos os detentores de cargos públicos, como o Presidente da República, o Primeiro Ministro, o Secretário de Estado da Cultura, outros ministros, a Presidente da Assembleia da República, os representantes dos vários partidos políticos com assento parlamentar, os representantes da Igreja Católica, os homens e mulheres indinheirados, deste país, os responsáveis da televisão, onde ele colaborou por cerca de 40 anos, e as autoridades locais e regionais que marcassem a sua presença.

Mas, o que vi eu? Vi um grande homem, para mim, o melhor de todos os Presidentes da República - Sr. General António Ramalho Eanes e a sua esposa  - Drª Maria Manuela Ramalho Eanes, que sabem estar á altura dos acontecimentos.
Vi um comentador político - Dr. Marcelo Rebelo de Sousa,  o qual ao ser inquirido pelos jornalistas sobre a ausência de tanta "gente" que seria suposto lá estar, pelos lugares que ocupam, tentou justificar como melhor pode, inclusivé argumentando que "Estamos em Setúbal", como quem diz: Fica longe de Lisboa, como se toda essa gente não tivesse disponível carros e motoristas, pagos pelos contribuintes.

Tenho visto "essa gente" a correr para o funeral de tantos, tantos, que nem de longe, com todo o respeito e consideração... fizeram obra e deixaram obra, como o Dr. José Hermano Saraiva.

Para mim, o que levou á sua ausência, foi o facto do Dr.  José Hermano Saraiva, ter "servido" Portugal e os portugueses, duma forma notável, em que se deu a si próprio para fazer o país andar para a frente, inclusivé no combate ao analfabetismo, noutro regime anterior ao "25 de Abril".

Quero lembrar o que creio firmemente: As pessoas valem por o que são, por elas próprias, por a obra em que se empenharam, por a "herança" que deixam para a posteridade, e não pelos cargos que ocuparam, não por o nome de família, não pelo dinheiro que têm ou pelo partido em que militaram.Por elas, elas proprias.

Não compareceram por medo, por recearem ser conotadas com o "fascismo" do regime anterior.
Que tristeza! Que pobreza de espírito!

Porem, consolou-me ver a Igreja do Convento de Jesus, cheínha, a abarrotar de gente humilde, de gente do povo. Esses sim, estiveram presentes para agradecer, para reconhecer e dizer um último adeus, áquele homem que soube dar-se e entregar-se  á Patria e ao povo português.

Para mim, a ausência do Primeiro Ministro e do Secretário de Estado da Cultura, foi a maior falha  cometida desde que este governo tomou posse.
Desiludiram-me.

1 comentário:

as-nunes disse...

Sem dúvida, minha senhora, as ausências de personalidades públicas representativas do Estado Português, do funeral duma individualidade com as facetas de homem de cultura, grande divulgador da História de Portugal e das terras portuguesas e das suas gentes, constituem, antes de mais, um ato de cobardia e de baixeza moral.

Sabemos que o Prof. Hermano Saraiva (por acaso natural de Leria) esteve intimamente ligado ao regime de Salazar, tendo sido o Ministro da Educação que teve de enfrentar a crise académica de 1968/69. Que talvez a pudesse ter enfrentado doutra forma. Mas é muito cómodo criticar a forma que se adotou no passado, estando nós a viver todo o circunstancialismo em que vivemos o Presente, à luz de outro tipo de informação curtida pelo próprio tempo.

Por isso, concordo plenamente com o excelente texto que aqui deixou plasmado, preto no branco.
Os meus parabéns.

António Nunes