quarta-feira, 16 de maio de 2018

SOLIDÃO - Um poema de Miguel Torga

O poeta e escritor português -  Miguel Torga. Fonte da imagem: https://www.escritas.org/pt/.

   SOLIDÃO

Pouco a pouco, vamos ficando sós,
Esquecidos ou lembrados
Como nomes de ruas secundárias
Que a custo recordamos
Para subscritar
A urgência de um beijo epistolar
Ainda inutilmente apetecido.
Mortos sem ter morrido,
Lúcidos defuntos,
Vemos a vida pertencer aos outros.
E descobrimos, na maneira deles,
Que nada somos
Para além do seu dissimulado
Enfado
Paciente.
E que lá fora, diariamente,
Conforme arde no céu,
O sol aquece
Ou arrefece
Os versáteis e alheios sentimentos.
E que fomos riscados
No rol da humanidade
A que já não pertencemos
De maneira nenhuma.
E que tudo o que em nós era claridade
Se transformou em bruma.

    (Miguel Torga)

2 comentários:

Fmaria Mesquita disse...

E não fosse Miguel Torga! Grande! Um beijinho enorme para si Viviana. Nunca a esqueço!

Viviana disse...

Olá! querida Fernanda

Quanta alegria me deu a sua visita...
E, fazer-me saber que nunca me esquece.
Sorri de contentamento.

Obrigada, boa amiga

Que tudo esteja bem consigo e com a sua família
O meu abraço
viviana