quinta-feira, 31 de julho de 2008

A alegria da vida



Uma palavra simples
de bondade -
uma só! - vale mais
do que um tesouro;
os pobres corações que
a dor invade
é amor que reclamam,
não é ouro;
procura os fatigados
da viagem
os que a sorte maltrata
dia a dia:
estende-lhes a mão,
dá-lhes coragem
- e sentirás a benção
da alegria!

(Brian O'Higgins )
Publicada por Paula Cristina Silva
No blogue - Crentes em Cristo

quarta-feira, 30 de julho de 2008

À descoberta, na Ribeira das Jardas

O meu neto Gil de 14 anos convidou-me a mim e ao Zé, o meu filho mais novo, para ontem á tarde, quando o sol já não estivesse muito quente… ir-mos fazer um passeio de estudo ao longo da Ribeira das Jardas que passa aqui perto da nossa casa.
Munidos de água e máquinas fotográficas, lá partimos alegremente, para a nossa aventura, sim porque é sempre uma aventura irmos para aquele lugar, pois nunca sabemos bem o que vamos por lá encontrar.

Para o Gil, havia ainda um segundo objectivo que era poder fotografar os “comboios”, de lugares e ângulos, dos quais ainda não tinha tido oportunidade de o fazer.

Começámos por observar e estudar, junto á Estação de Mira – Sintra - Meleças, uma ponte de pedra de construção muito, muito antiga, sustentada por pilares de pedra e com um tabuleiro de grandes e pesadas lages. Destas lages que em princípio deveriam ser quatro, só resta uma.
Aí foi possível ver Libelinhas ou, Libélulas, de cor preta, pousadas nas plantas dentro da Ribeira.
Ao lado desta ponte, foi construída uma outra por onde passam actualmente as pessoas, e na qual entretanto, passou uma “pastora” com um rebanho de cabras e os seus vários cães, e cujo curral fica ali ao lado.
Qual não é o meu espanto quando olho e vejo a pastora, com uma vassoura na mão a varrer as “caganitas” das cabras de cima da ponte!
Eu sorri para a pastora e disse-lhe: A senhora está a varrer as “caganitas” das cabras!?
Nunca vi tal coisa! Ao que ela me respondeu: “Então, se não varresse as pessoas não poderiam aqui passar!”
Daqui se prova que há pessoas preocupadas com o meio - ambiente e com os outros.

A partir dali, fomos andando e observando tudo á nossa volta. Detivemo-nos a olhar um sobreiro enorme, creio que centenário. O que mais impressiona nele é a grossura e extensão dos seus ramos, os quais formam uma copa enorme de uma beleza extraordinária.

À beira da ribeira logo a seguir, há pinheiros com uma envergadura de tronco enormes.
Devem esta ali há centenas de anos.

Logo mais abaixo, encontrámos uma outra ponte também muito antiga, mas em melhor estado de conservação, pois ainda é usada para se atravessar a Ribeira para o outro lado. Aí, ao debruçar-me sobre a ribeira e olhando em frente, tive a alegria de ver a primeira das cinco… galinhas de água, que vi ontem. Assim que me viu voou em voo rasante para a outra margem, onde imediatamente desapareceu no meio dos arbustos. Já da outra vez que ali estive também vi uma no mesmo local. Disse-me a pastora que há algum tempo atrás viu ali uma galinha com uma ninhada de pintainhos, que ora estavam com a mãe nadando na água, ora saíam e ficavam na beira da água ao sol a aquecer-se. Quando ela me disse isto fiquei muito contente, pois é sinal que o número de galinhas de água ali está a aumentar.

Continuámos. Um pouco mais abaixo, e logo a seguir a um lugar onde entra na Ribeira um afluente de água limpinha, maravilhámo-nos com centenas de pequeninos peixes, que “brincavam” na água, onde os reflexos do sol do fim da tarde, faziam brilhar as suas pequenas escamas.

Entretanto, os rouxinóis, do cimo das árvores, acompanhavam com alegres e melodiosos trinados o nosso caminhar e as nossas descobertas.

Mais adiante, encontrámos um galho enorme de uma grande árvore, creio que um Freixo, caída no chão; deve ter sido o vento durante a noite, pois esteve muito forte.
Reparámos que não estava totalmente separado da árvore, o que me fez ter a esperança de que a seiva tenha condições para passar e a possa alimentar, pois seria uma pena que assim não fosse.
Ficámos maravilhados com a cor da madeira por baixo da casca. Era de uma beleza extraordinária! A textura tão bela e tão macia e a cor de um tom avermelhado, muito lindo.

Chegámos entretanto á parte da Ribeira onde há melhores condições, creio eu, para o habitat perfeito das galinhas de água. È uma zona em que se torna muito difícil o acesso ás margens da Ribeira, e onde elas estão portanto mais seguras e protegidas.
Mas eu… trepei para cima de um muro e espreitei… e pude ver várias nadando na água São lindas! Lindas! Pretas, com uma crista baixa vermelha. Quando me viam, voavam em voos baixos escondendo-se num ápice no meio da vegetação.

Logo á seguir encontrámos uma zona muito linda, onde a Ribeira alarga e a água corre suavemente sobre as enormes lages do leito. Ali perto, está o que resta do que foi uma azenha, que servia para moer o trigo e o milho das pessoas que habitavam naquelas redondezas.

Já muito pouco resta, e se não forem tomadas medidas para salvar o que ainda pode ser salvo… então, tristemente, aqueles vestígios tão importantes para a História daquela zona, desaparecerão para sempre. Porém, eu tenho fé que isso não aconteça.



E pronto, chegámos á linha férrea onde o Gil queria fotografar os comboios.
Passámos por baixo da ponte ferroviária para o outro lado, subimos um monte onde estão as ruínas de um moinho de vento… e ali ficámos durante muito tempo até o Gil e eu… fotografarmos todos os tipos de comboios que por ali passaram.


Voltámos pelo mesmo caminho, e aí… ainda tive oportunidade de ver mais três galinhas de água.

Só não consegui ver uma coisa que eu tanto queria… e que há já muito tempo não vejo - uma cobra de água - .
Mas não perdi a esperança! Eu acho que num dos próximos passeios irei vê-la.

terça-feira, 29 de julho de 2008

O Louva - a - Deus


Louva – a – Deus
Em inglês - Praying Mantis.
Nome científico – Mantis Religiosa.

È um insecto carnívoro, ou seja, que se alimenta de outros animais, como mosquitos
Tem olhos muito desenvolvidos que lhe permitem ver muito bem, o que os ajuda quando precisam de caçar para se alimentar.
As patas dianteiras são usadas para caçar.
O Louva – a – Deus é um caçador paciente, que fica parado nas plantas, á espera que apareça um insecto.
Enquanto espera, une as patas dianteiras o que dá a impressão de que está a rezar. Daí o seu nome – Louva – a – Deus.
Vivem em matas ou áreas com vegetação e conseguem confundir-se com as plantas, camuflando-se. Alguns ficam com um aspecto tão colorido quanto as plantas em que pousam.
Por sua vez são caçados por pássaros e morcegos.
Embora sejam bastantes diferentes, são parentes das baratas e dos grilos.
São sempre bem – vindos ás plantações porque ajudam a combater os insectos que destroem as plantas.
O Louva – a – Deus fêmea é uma parceira perigosa. O macho é mais pequeno e quando acasalam, ela pode tentar come-lo. È tão apaixonado o macho, que mesmo depois de decapitado pode continuar a acasalar.
O louva – a – Deus possui um único ouvido que está localizado no tórax.
Existem mais de duas mil variedades de Louva – a – Deus em todo o mundo.
Vivem principalmente nas zonas tropicais e sub – tropicais.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Um soneto de Antero de Quental



A M. C.

Pôs-te Deus sobre a fronte a mão piedosa:
O que fada o poeta e o soldado
Volveu a ti o olhar, de amor velado,
E disse-te: «vai, filha, sê formosa!»

E tu, descendo na onda harmoniosa,
Pousaste neste solo angustiado,
Estrela envolta num clarão sagrado,
Do teu límpido olhar na luz radiosa...

Mas eu... posso eu acaso merecer-te?
Deu-te o Senhor, mulher! o que é vedado,
Anjo! deu-te o Senhor um mundo à parte.

E a mim, a quem deu olhos para ver-te,
Sem poder mais... a mim o que me há dado?
Voz que te cante e uma alma para amar-te!

(Antero de Quental)
1842-1891
Em cima: Pintura de Berthe Morisot


domingo, 27 de julho de 2008

Porque hoje é Domingo (15)



O vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.

Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura.

Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi.
Eis que eu o dei por testemunha aos povos, como líder e governador dos povos.

Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para ti, por amor do SENHOR teu Deus, e do Santo de Israel; porque ele te glorificou.

Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.

Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR.

Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.

Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come,
Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.
Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas.

Em lugar do espinheiro crescerá a faia, e em lugar da sarça crescerá a murta; o que será para o SENHOR por nome, e por sinal eterno, que nunca se apagará.
(Livro do Profeta Isaías cap. 55:1 a13)

sábado, 26 de julho de 2008

A Figueira "Milagre"




Desde pequenita que convivo com figueiras, daí provavelmente eu apreciar tanto os figos e levar o ano inteiro á espera que eles “venham”, no mês de Agosto.
Neste momento temos quatro figueiras: Uma já bastante grande - que é a heroína desta história - outra um pouco mais pequena, que veio de Rio – Maior, oferecida pelo meu compadre Salvado e estão ambas á volta da casa; uma, que não sei como… mas nasceu sozinha no pátio, numa fenda no chão de pedra, bem encostadinha ao muro que separa o meu pátio do da vizinha do lado; e ainda uma outra bem pequenina, que luta para sobreviver, no meio das flores do jardim. Esta última, tem para nós os quatro irmãos, uma importância muito especial, é que a trouxemos – apenas um pequenino tronquinho, sem raiz… que ousámos tirar da centenária figueira, onde comiamos os mais saborosos figos, pequenos e quase redondos, vermelhinhos por dentro, muito doces... que havia junto da nossa casa de infância, em Leiria - quando fomos os quatro “matar saudades”, revesitando um dos locais onde vivemos as maiores e mais lindas aventuras da nossa meninice.

Mas o que me leva a escrever este post sobre as figueiras, é essencialmente, para vos contar a singular história da primeira, da maior.

Talvez há cerca de vinte anos atrás, só tínhamos uma figueira, na horta, longe de casa, e que foi plantada pelo meu pai. A minha mãe queria muito ter uma figueira junto á casa, onde se pudesse sair da porta, estender a mão e apanhar os figuínhos.
Então, teve uma ideia, que foi pedir a um vizinho que mora juntinho de nós, e que tinha uma grande figueira, na qual estavam a nascer sempre muitos rebentos, para nos dar um desses rebentos e, como era preciso fazer um buraco muito fundo… o que era difícil para ela, pediu-lhe para ele plantar a figueira, e ele plantou, junto á saída do portão do pátio.
A minha mãe regava-a com frequência e lá ia cuidando dela.
Um dia, tinha ela aí uns dez centímetros, apareceu cortada bem juntinho ao chão. A minha mãe ficou muito triste e espantada, por haver alguém capaz de destruir uma plantinha que não incomodava ninguém…
Passado algum tempo a figueirinha brotou de novo e, imaginem… de novo foi cortada. Aí, a mãe e nós, ficámos “de pé atrás”…tínhamos que tentar desvendar o mistério e saber quem era o autor ou autora, do feito.
Bom, o que é certo é que cada vez que ela arrebitava… alguém a cortava e por isso a esperança que tínhamos de ela crescer, era mesmo muito pouca ou nenhuma..
Um certo domingo fomos todos lá almoçar com a mãe e, ao estacionarmos o carro, olhámos e reparámos que tinha sido mais uma vez cortada logo acima da raiz. Claro que ficámos muito tristes e fomos dizer á mãe. A mãe só dizia: “A pessoa que faz isto há-de dar contas a Deus!
Porque isto não se faz! E muito menos a uma viúva!”
Enquanto olhávamos a figueirinha cortada, reparámos que as folhas ainda estavam frescas, o que queria dizer que tinha sido cortada há pouco tempo. Então a minha irmã, que por sinal também é enfermeira como eu, de repente teve uma ideia! Disse: vou fazer uma operação! (Sim porque o curso de enfermagem não serve apenas para "cuidar" das pessoas... mas tambem dos animais, das plantas, das árvores, ect.)E corre para casa e vai buscar um rolo de adesivo (esparadrapo) e, com muito jeitinho eu e ela tentámos juntar o melhor possível as duas partes, e enquanto eu segurava, ela com mãos exímias de enfermeira… colocou o adesivo á volta, unindo as duas partes; foi depois buscar água e regou abundantemente.
Olhámos para a “obra” e elevámos os olhos ao céu pedindo a bênção de Deus para a plantinha. Fomos para dentro de casa e contámos á mãe o nosso feito, ao que ela sorriu e disse: "Quem sabe? Era muio bom que ela conseguisse."

Sabem uma coisa? Aos poucos ela começou a arrebitar, a ficar mais verdinha, mais bonita, e hoje, é a linda e vigorosa árvore que vos mostro nas fotos. Reparem na grosssura do tronco! Reparem na altura, reparem no porte!
Com ela aprendemos duas grandes e importantes lições.

A primeira:

Que nunca devemos desistir daquilo que para nós é importante, sem que tenhamos tentado tudo, mas mesmo tudo, mesmo quando parece que já não vale a pena! Porque ás vezes… podemos ter belas surpresas.

A segunda:

Que as coisas criadas por Deus, têm capacidades enormes, para cumprir
o fim para que foram criadas, sendo capazes de lutar, lutar, pela sua sobrevivência.

Ela não só foi uma sobrevivente, ela foi e é...uma "figueira milagre"! que todos os anos nos compensa e alegra, com enormes quantidades de saborosos figos, tipo - pingo de mel – que são uma delícia.

Perguntarão agora:

Então, e a pessoa que a quebrou tantas vezes, porque é que não a quebrou mais?
Eu não sei, porém creio que ela, como nós… ficou na expectativa de ver o que é “aquilo dava”. Ou então, arrependeu-se eu sei lá.

Perguntarão ainda:

E nunca chegaram a descobrir quem era?

Respondemos que não! Embora tenhamos quase a certeza de quem é.
E pensamos ainda que foi por inveja.
Mas fosse porque fosse, não interessa, sempre nos demos bem com todos os vizinhos e ainda hoje nos continuamos a dar.

E sabem, a figueira está junto a um carreiro onde os vizinhos passam, e no verão, quando ela está carregadinha de figos, eu digo a todos eles:

A figueira é de todos! Todos podem apanhar e comer” á vontade.
E digo-vos…os figos chegam e sobram para todos, inclusive para os melros, pardais, papa – figos e muitos outros pássaros.
Se algum dia por lá passarem… também podem apanhar e comer á vontade.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O mal e o bem


Para se fazer o mal ninguém precisa de ser ensinado, mas para se fazer o bem
è preciso aprender durante toda a vida.

( Pastor Manuel Alexandre Júnior)