O meu neto Gil de 14 anos convidou-me a mim e ao Zé, o meu filho mais novo, para ontem á tarde, quando o sol já não estivesse muito quente… ir-mos fazer um passeio de estudo ao longo da Ribeira das Jardas que passa aqui perto da nossa casa.
Munidos de água e máquinas fotográficas, lá partimos alegremente, para a nossa aventura, sim porque é sempre uma aventura irmos para aquele lugar, pois nunca sabemos bem o que vamos por lá encontrar.
Para o Gil, havia ainda um segundo objectivo que era poder fotografar os “comboios”, de lugares e ângulos, dos quais ainda não tinha tido oportunidade de o fazer.
Começámos por observar e estudar, junto á Estação de Mira – Sintra - Meleças, uma ponte de pedra de construção muito, muito antiga, sustentada por pilares de pedra e com um tabuleiro de grandes e pesadas lages. Destas lages que em princípio deveriam ser quatro, só resta uma.
Aí foi possível ver Libelinhas ou, Libélulas, de cor preta, pousadas nas plantas dentro da Ribeira.
Ao lado desta ponte, foi construída uma outra por onde passam actualmente as pessoas, e na qual entretanto, passou uma “pastora” com um rebanho de cabras e os seus vários cães, e cujo curral fica ali ao lado.
Qual não é o meu espanto quando olho e vejo a pastora, com uma vassoura na mão a varrer as “caganitas” das cabras de cima da ponte!
Eu sorri para a pastora e disse-lhe: A senhora está a varrer as “caganitas” das cabras!?
Nunca vi tal coisa! Ao que ela me respondeu: “Então, se não varresse as pessoas não poderiam aqui passar!”
Daqui se prova que há pessoas preocupadas com o meio - ambiente e com os outros.
A partir dali, fomos andando e observando tudo á nossa volta. Detivemo-nos a olhar um sobreiro enorme, creio que centenário. O que mais impressiona nele é a grossura e extensão dos seus ramos, os quais formam uma copa enorme de uma beleza extraordinária.
À beira da ribeira logo a seguir, há pinheiros com uma envergadura de tronco enormes.
Devem esta ali há centenas de anos.
Logo mais abaixo, encontrámos uma outra ponte também muito antiga, mas em melhor estado de conservação, pois ainda é usada para se atravessar a Ribeira para o outro lado. Aí, ao debruçar-me sobre a ribeira e olhando em frente, tive a alegria de ver a primeira das cinco… galinhas de água, que vi ontem. Assim que me viu voou em voo rasante para a outra margem, onde imediatamente desapareceu no meio dos arbustos. Já da outra vez que ali estive também vi uma no mesmo local. Disse-me a pastora que há algum tempo atrás viu ali uma galinha com uma ninhada de pintainhos, que ora estavam com a mãe nadando na água, ora saíam e ficavam na beira da água ao sol a aquecer-se. Quando ela me disse isto fiquei muito contente, pois é sinal que o número de galinhas de água ali está a aumentar.
Continuámos. Um pouco mais abaixo, e logo a seguir a um lugar onde entra na Ribeira um afluente de água limpinha, maravilhámo-nos com centenas de pequeninos peixes, que “brincavam” na água, onde os reflexos do sol do fim da tarde, faziam brilhar as suas pequenas escamas.

Entretanto, os rouxinóis, do cimo das árvores, acompanhavam com alegres e melodiosos trinados o nosso caminhar e as nossas descobertas.
Mais adiante, encontrámos um galho enorme de uma grande árvore, creio que um Freixo, caída no chão; deve ter sido o vento durante a noite, pois esteve muito forte.
Reparámos que não estava totalmente separado da árvore, o que me fez ter a esperança de que a seiva tenha condições para passar e a possa alimentar, pois seria uma pena que assim não fosse.
Ficámos maravilhados com a cor da madeira por baixo da casca. Era de uma beleza extraordinária! A textura tão bela e tão macia e a cor de um tom avermelhado, muito lindo.

Chegámos entretanto á parte da Ribeira onde há melhores condições, creio eu, para o habitat perfeito das galinhas de água. È uma zona em que se torna muito difícil o acesso ás margens da Ribeira, e onde elas estão portanto mais seguras e protegidas.
Mas eu… trepei para cima de um muro e espreitei… e pude ver várias nadando na água São lindas! Lindas! Pretas, com uma crista baixa vermelha. Quando me viam, voavam em voos baixos escondendo-se num ápice no meio da vegetação.
Logo á seguir encontrámos uma zona muito linda, onde a Ribeira alarga e a água corre suavemente sobre as enormes lages do leito. Ali perto, está o que resta do que foi uma azenha, que servia para moer o trigo e o milho das pessoas que habitavam naquelas redondezas.
Já muito pouco resta, e se não forem tomadas medidas para salvar o que ainda pode ser salvo… então, tristemente, aqueles vestígios tão importantes para a História daquela zona, desaparecerão para sempre. Porém, eu tenho fé que isso não aconteça.

E pronto, chegámos á linha férrea onde o Gil queria fotografar os comboios.
Passámos por baixo da ponte ferroviária para o outro lado, subimos um monte onde estão as ruínas de um moinho de vento… e ali ficámos durante muito tempo até o Gil e eu… fotografarmos todos os tipos de comboios que por ali passaram.

Voltámos pelo mesmo caminho, e aí… ainda tive oportunidade de ver mais três galinhas de água.
Só não consegui ver uma coisa que eu tanto queria… e que há já muito tempo não vejo - uma cobra de água - .
Mas não perdi a esperança! Eu acho que num dos próximos passeios irei vê-la.