sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Chegou a chuva de Outono


A chuva do Outono chegou finalmente a Mira-Sintra.
Há quanto tempo eu a esperava!
Foi caindo durante a noite por igual, batendo levemente nas vidraças da janela.
Olho e vejo, com imensa satisfação, o ar de saciação das plantas que estavam mortas de sede.
Parecem dizer: Que bom! Já bebi : Já me sinto outra!

Hoje, apeteceu-me oferecer-vos um poema sobre a chuva e parti á procura; foi então que encontrei este belíssimo texto, e ao lê-lo, achei-o tão lindo que não resisto a publicá-lo aqui como um presente para todos aqueles que por aqui passarem.


Canção da chuva


«Abre as janelas, Maria, que já começa a chuva... Desliga o rádio, a televisão, esquece o jornal com todas as previsões de sol para esta manhã, e vem ouvir a chuva que já escorre sua líquida canção por nossa soleira.

Olha as mangueiras como estão caladas, os cachorros que das varandas deitam olhares aquosos para a translúcida paisagem, a cabecinha silenciosa do bem-te-vi que se abrigou no bojo da luminária, o velho que na rede submerge a alma em suas melhores lembranças trazidas pela chuva abençoada.

Abre, Olívia, primeiro as janelas dos teus olhos, onde a luz clarividente antecipa a melodia de cada gota que virá ensopar nosso domingo. Deita aqui, tua preguiça em meu colo, despeja os cabelos sobre o vestido que escolhi para ver a grama lavada, a terra lavrada ao peso da água, da chuva que nos choverá em cada palavra, movimento, suspiro, olhar, em cada brando gesto de tua candura.

Não rodopies assim tua alegria, Júlia, que a chuva se espanta! Não ria do anjo de penas ouriçadas que se debruça à janela à espera do sol. Deixa que ele esconda devagarzinho a cabeça entre as asas e se renda à mansa composição que o embalará para o sono.

Serena teus gestos, estende teus braços meninos, sobe nas pontas de tua sapatilha de bailarina e colhe na palma uma gota para mim.

Vem, Maria, em passinhos miúdos ver as folhas secas que já cobriram a varanda, as ardósias afagadas pela enxurrada, que tudo isso é parte da canção. Levanta aos joelhos teu vestido, espicha assim as pernas e teu delicado sopro de vida ao meu lado, deixa molhar na chuva as pontas dos dedos de teu pezinho, nos pingos que se derramam fluidos sobre a verdura.

Agora canta, Maria, com todos os teus cristais, esta canção com a chuva...»

(Lulih Rojanski)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

DIA DA MULHER ROSA


Como mulher que sou, não posso deixar de me associar e colaborar neste importante evento, promovido pela Associação de Mulheres Mastectomizadas "Viva e Ame a Vida ".

Tem feito um trabalho notável e importantíssimo, dando apoio e ajuda a um grande número de mulheres que, infelizmente, tiveram que enfrentar e lutar contra esta terrível doença.

Sugiro, que todas as mulheres que passem por aqui hoje, de qualquer nacionalidade, de qualquer lugar do mundo, possam, se assim o entenderem... juntar-se ás mulheres portuguesas vestindo-se em tons de rosa, e se um amigo ou alguem perguntar: Então hoje estás vestida de cor de rosa? responder: Hoje estou em sintonia e solidária com as mulheres portuguesas qu lutam contra o cancro da mama.
Desafio-as a fzer isso.
A seguir apresento o texto que foi espalhado pelo país inteiro pela Associação .

«Comemora-se no dia 30 de Outubro, o Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama; assim a Associação de Mulheres Mastectomizadas " AME e VIVA a VIDA " vai promover neste dia uma acção de sensibilização, alertando as mulheres para prática do auto exame, realização de mamografias e consultas médicas periódicas e distribuindo nas 18 capitais de Distrito folhetos alusivos à doença

Para simbolizar esse alerta convidamos todas as mulheres a vestir no dia 30 uma peça cor de Rosa no seu vestuário- DIA da MULHER ROSA - Vamos colorir Portugal de Rosa!!!Esta acção vai ajudar as mulheres na luta contra o cancro da mama com dois lemas:

" Saiba o que lhe vai no peito""
"Vamos acabar com o tabu do Cancro"»

No dia 30 todas de côr de rosa por favor.
OBRIGADA.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A glória da amizade...


Imagem: musicaaolonge.blogger.com

-"A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia.È a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguem acredita e confia em você." -

(Ralph Waldo Emerson)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

10º Aniversário da Ordem dos Enfermeiros Portugueses


Concluí o Curso Geral de Enfermagem no ano de 1964.
Aposentei-me no ano de 2001.
Trabalhei portanto 37 anos como enfermeira.

Exerci a minha profissão numa entrega total, de alma e coração, e fi-lo sempre com uma imensa alegria, e ao aposentar-me senti que a tarefa estava cumprida e que me tinha realizado na profissão para a qual Deus me escolheu.
Hoje, encontrei casualmente na net, a notícia do décimo aniversário da Ordem dos Enfermeiros, pela qual tanto lutei, e me esforcei, e rejubilei... quando ela foi criada... que não resisti a publicar um pequeno post sobre o acontecimento.
Os Enfermeiros Portugueses nunca esquecerão, e serão eternamente gratos, á então Ministra da Saúde, Drª Maria de Belém Roseira, por ter tido a coragem de, ao chegar ao governo imediatamente dar andamento aos Documentos sobre a Criação da Ordem dos Enfermeiros, que se encontravam fechados e esquecidos, numa gaveta em S. Bento, há cerca de dez anos, ou seja, durante o tempo que o agora Presidente da República Prof. Cavaco Silva, era Priimeiro Ministro.
Havia tanta pressão dos "Lobbies"para que os Enfermeiros não tivessem uma Ordem, que fez com que o assunto estivesse parado durante todo esse tempo.
Recordo portanto, a minha enorme alegria no dia em que saiu no Diário da República a Publicação do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros Portugueses.
Foi uma enorme vitória para os Enfermeiros.
Celebrámos com imensa alegria.
È por tudo isto, que eu não resisi a publicar este post sobre os 10 anos da Ordem dos Enfermeiros Portugueses.

«10º Aniversário da Ordem dos Enfermeiros
1998-2008
10 anos percorridos

O ano de 2008 deverá ser tempo e espaço de alegria e, também, uma oportunidade para reforçar o compromisso da profissão para com a sociedade.

Comemorar os 10 anos de existência da Ordem dos Enfermeiros significa enraizar o nosso presente no legado construído por milhares de enfermeiros ao longo de décadas, revisitando a nossa história; significa reconhecer que se abriu caminho para que os enfermeiros assumam a auto-regulação como instrumento de promoção da qualidade dos cuidados de Enfermagem aos cidadãos e de desenvolvimento da profissão; significa reforçar a confiança no futuro, com o que no presente somos capazes de construir.

Não pouparemos esforços para continuar trilhando o caminho de afirmação da mais-valia que os cuidados de Enfermagem representam no global dos cuidados de saúde e, consequentemente, da importância que daí releva para a participação dos enfermeiros em todos os níveis do sistema de saúde e no desenvolvimento da formação e da investigação.

Convictos de que, não há melhor saúde sem melhor Enfermagem, queremos que 2008, pela participação de todos, seja o ano «Pela qualidade da saúde».
Todos somos convidados a participar. Façamos do nosso tempo, tempo de mudança, e das pedras do caminho, o nosso castelo!»

Maria Augusta de Sousa
Bastonária da Ordem dos Enfermeiros

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Os meus Hinos queridos (3)


Para ler, clique por favor em cima da imagem.

Tradicionmalnmente, o canto, faz parte integrante do Culto de adoração e louvor nas Igrejas Evangélicas.
A maioria dos Hinos que cantamos são de autores estrangeiros; há no entanto autores portugueses inspirados, que contribuiram para o enriquecimento da nossa Hinologia.

Entre eles saliento o Pastor Guido Valdemar de Oliveira, da Igreja Evangélica das Amoreiras em Lisboa, do qual publico hoje aqui, com muito gosto, este cântico da Colectânea "Cânticos do Coração" publicada por ele há 55 anos.

Este è um dos meus hinos queridos cuja mensagem me toca e sensibiliza.

domingo, 26 de outubro de 2008

Porque hoje é Domingo (28)


Lepomier.net/may/image

No princípio criou Deus os céus e a terra.

E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.

E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.

E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas.

E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi.

E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.
E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi.

E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom.

E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi.

E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.

E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.

E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.

E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi.

E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas.

E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra,

E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom.
E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.

E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus.

E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.

E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.

E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.

E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi.

E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.

E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

(Livro de Génises 1:1 a 31)

sábado, 25 de outubro de 2008

Pastoral, de Miguel Torga


Foto - acassiacleta.weblog.com.pt

Não há, não,
duas folhas iguais em toda a criação.

Ou nervura a menos, ou célula a mais,
não há de certeza, duas folhas iguais.

Limbo todas têm,
que é próprio das folhas;
pecíolo algumas;
bainha nem todas.
Umas são fendidas,
crenadas, lobadas,
inteiras, partidas,
singelas, dobradas,

Outras acerosas,
redondas, agudas,
macias, viscosas,
fibrosas, carnudas.
Nas formas presentes,
nos actos distantes,
mesmo semelhantes
são sempre diferentes.
Umas vão e caem no charco cinzento,
e lançam apelos nas ondas que fazem;
outras vão e jazem
sem mais movimento.
Mas outras não jazem,
nem caem, nem gritam,
apenas volitam
nas dobras do vento.
É dessas que eu sou .

MIGUEL TORGA