Esta a casa em Maceira, onde o Vasco Granja passou férias. Hoje está assim.
Vasco Granja como nós o conhecemos - Foto da net
Vasco Granja e as Mil Imagens -Foto da net
~È nesta Zona de Maceira que se situa a casa onde o Vasco Granja passava fériasInteressante, que alguns amigos que visitam este blogue, e que já me conhecem bem...estranharam o facto de eu ontem não ter postado aqui sobre a morte do grande homem da cultura Portuguesa - Vasco Granja.
Deixei para hoje, pois queria primeiro acompanhá-lo no seu funeral.
Creio que toda a gente, ou pelo menos, muita gente sabe que o Vasco Granja nos deixou na madrugada da ùltima segunda-feira.
Antes de citar aqui o que foi a sua obra e as coisas importantes que levou a cabo,não posso deixar de falar dele como pessoa, que fez parte da infância e vida dos meus filhos. E não só, porque ele tambem marcou a vida da minha saudosa mãe.
Quanto aos filhos, numa altura em que não havia ainda televisão a cores, nem internet, o Vasco Granja surge na R.T.P. com o seu atraente e simpático programa de Animação e banda desenhada. Então, os filhos ao sábado, saiam da cama direitinhos para o sofá da sala, onde assistiam á última parte do Programa - T.V.Rural, da responsabilidade do saudoso engenheiro Sousa Velouso, lembram-se? para não perderem pitada do programa do Vasco granja.
Sobre o assunto o meu Pedro escreveu o seguinte na "Rua da Escola:
http://ruadaescola.blogspot.com/«O
João já disse o essencial, mas gostava de acrescentar algumas palavras. Bugs Bunny, Speedy Gonzales, Pantera Cor-de-rosa, Tom e Jerry, Norman McLaren e os animadores canadianos, o grande Tex Avery, os filmes tristes do Leste - koniec, as revistas Spirou e Tintin, Jonathan, Buddy Longway e Corto Maltese – que ele trouxe e defendeu das críticas maioritárias.(Sem o Vasco Granja a minha infância e adolescência teriam sido diferentes
No que diz respeito á minha mãe que nasceu há quase 98 anos... era já bem idosa, depois do meu pai já ter falecido, quando um dia, andando no campo creio que a regar o milho, recebeu a visita inesperada do Vasco Granja, que a cumprimentou e teve com ela uma conversa muito interessante, que a impressionou muito e que ela nunca mais esqueceu.
Acontece que ele, naquele verão, decidiu passar alguns dias de férias na aldeia de Maceira, tendo-se instalado numa casinha rústica, cujas paredes eram constituidas por enormes rochas e que se situava num bosque isolado num sítio belíssimo, com uma vegetação e zona envolvente, soberbas.
Então, foi numa das suas caminhadas pelo campo que encontrou a minha mãe e lhe deu muita atenção. Por sua vez, a minha mãe era uma excelente conversadora.. por isso podemos imaginar o quanto ambos apreciaram aqueles momentos.
Era um homem extremamente simples e simpático.Tinha uma dicção única, que recordamos com saudade.
Ontem, tive o previlégio de o acompanhar no seu funeral, que se realizou pelas 15 horas, da da Capela Mortuária da Igreja da Damaia para o Cemitério de Rio de Mouro, onde foi Cremado.
Foi muito grato conhecer e conversar com a sua esposa e a sua filha, que como ele são uma simpatia.
Como poderemos compreender estavam a sofrer muito, mas interessante que ambas conseguiam sorrir. Foi lindo, admirei isso.
Lá deixámos as suas cinzas, mas não deixámos a sua memória... essa, por certo ficará para sempre no coração daqueles que tiveram o prevlégio de o conhecer, bem assim como á sua obra.
Agora, aqui vos deixo um pouco da sua vida e obra:
»Vasco Granja, divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal, morreu aos 83 anos em Cascais disse fonte do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem.
Vasco Granja, que conduziu na RTP mais de um milhar de programas dedicado à animação e foi o último director da revista Tintim, morreu numa clínica de cuidados continuados em Cascais.
O corpo do divulgador de BD esteve em câmara ardente na capela da Damaia, na Amadora.
O funeral realizou-se terça-feira ás 15:00 para o Cemitério de Rio de Mouro, Sintra, onde o corpo foi cremado.
Iniciando as emissões com um saudoso "Olá amiguinhos", Vasco Granja gravou cerca de mil programas entre 1974 e 1990, onde apresentou personagens como Bugs Bunny e a Pantera Cor-de-Rosa, mas também a animação que havia para lá das portas do castelo de Walt Disney. A maioria destes programas, intitulados "Cinema de Animação, terá sido apagada dos arquivops da televisão pública.
Através do programa, o público juvenil, agora adulto, tinha oportunidade de ver, por vezes sem compreender, histórias de bonecos de plasticina, sombras chinesas ou com ursos de peluche animados.
A televisão deu-lhe um maior reconhecimento público mas o interesse pelas "histórias aos quadradinhos" surgiu muito tempo antes, quando Vasco Granja lia as revistas "O Mosquito" e "Tic-Tac" e passava horas nos cineclubes.
Autodidacta e curioso, Vasco Granja passou a frequentar os festivais de BD no estrangeiro e organizou ciclos de cinema de animação, dois dos quais para os detidos na Cadeia do Linhó.
Integrou por duas vezes o júri do festival de Angôuleme, em França, e em 1960 participou no primeiro Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy.
"Cinéfilo impenitente" e militante do Partido Comunista, Vasco Granja foi detido duas vezes pela PIDE por organizar sessões de cinema, muitas delas com filmes que ia buscar por conta própria às embaixadas em Lisboa.
Teve vários empregos que alimentavam o vício da banda desenhada, numa casa de fotografia, numa tabacaria ou Armazéns do Chiado e, finalmente, na livraria Bertrand, onde permaneceu quase trinta anos e dirigiu a revista "Tintin".
Vasco Granja, que durante muitos anos ficou conhecido como "o pai da pantera cor-de-rosa", nasceu a 10 de Julho de 1925, em Campo de Ourique, Lisboa, fez apenas o ensino primário, casou e teve uma filha.
(In Observatório do Algarve)