A Madalena no seu último aniversário.Foi ontem, ao entardecer.
Sem que ninguem estivesse á espera, a minha querida amiga e irmã em Cristo Madalena Machado, partiu para a casa do Pai.
Amiga de longa data, com quem trabalhei muito em Acampamentos em Àgua de Madeiros, e na União Feminina Missionária da Convenção Baptista Portuguesa.
A Madalena era uma pessoa maravilhosa.
Ao recordá-la, o que assoma á minha memória, é aquele sorriso transparente e límpido, cheio de bondade, e aquela risadinha que ela dava práticamente sempre, depois de cada frase que dizia.
Mulher exemplo, mulher amor, mulher dedicação.
Deu a sua vida inteirinha, á causa das crianças e jovens orfãos e desprotegidos, e aos idosos.
Os seus pais, os grandes e fiéis servos de Deus, Joaquim Eduardo Machado e Isménia Fontes Machado, já na glória, foram os fundadores do Lar Evangélico Português, na cidade do Porto, no longínquo ano de 1948.
O "Lar" começou na sua casa, onde além do pai e da mãe, havia seis filhos.
Com escassos recursos, este extraordinário casal começou a abrigar na sua casa crianças orfãs e desamparadas.
Muitas vezes não sabiam o que haviam de comer no dia seguinte; porém o seu Deus, em quem confiavam totalmente, sempre haveria de providenciar o necessário. E a este respeito há histórias comoventes de como o Senhor agiu e sempre abençoou a obra de amor, daquele casal.
Foi neste ambiente que a Madalena e os irmãos se criaram e foram preparados para a vida.
No ano de 1948, pela graça e misericórdia de Deus, o Lar Evangélico Português era inaugurado.
Já lá vão 61 anos...e o Lar lá está, sempre acolhendo, amando e ajudando dezenas de crianças, jovens, e de idosos.
Foi a este ministério de Amor que a Madalena dedicou a sua vida inteirinha.
Nunca casou, nunca "constituiu" família..deu-se na totalidade.
A sua família era aquela: todas as crianças, todos os jovens, todos os idosos, e todos os companheiros de trabalho que ali gastaram e gastam as suas vidas.
A Madalena ficará na história das mulheres Baptistas Portuguesas, como uma grande e extraordinária mulher.
Eu, lembra-la-ei sempre como uma carinhosa amiga, e como alguém que deixou um rasto de luz e de esperança, neste conturbado mundo em que vivemos.
Que o Senhor Deus seja louvado e engrandecido por a vida desta mulher.
Neste momento, no meio de lágrimas de saudade, eu digo:
O Senhor a deu, o Senhor a tomou.
Bendito seja o nome do Senhor.
«Então ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os acompanham.»
(Livro do Apocalipse 14:13)