segunda-feira, 12 de abril de 2010

O lavadouro público no Sacário - Sintra


As mulhereres lavavam a roupa em pé, umas ao lado das outras
debruçadas sobre o lavadouro.
Clique em cima para ver melhor.


A entrada do lavadouro.


O lavadouro visto do lado da estrada e o chafariz, onde se ia buscar água.

Creio que hoje em dia práticamente toda a gente tem uma máquina de lavar roupa, pois o progresso das última décadas trouxe mais poder aquisitivo de bens e serviços, mesmo nas pequenas aldeias.
Quando eu era criança, habitualmente, a roupa era lavada no rios, nas fontes ou nas valas. Mais tarde, surgiram os lavadouros municipais, que tinham as mais variadas formas e feitios, e que eram muito concorridos. Ali se juntavam as mulheres, as jovens e as crianças, proporcionando assim, com as suas conversas e a sua alegria natural, verdadeiros momentos de convívio social úteis para o povo do lugar.
Hoje, dum modo geral, esses lavadouros não são usados, porque as pessoas deixarem se precisar deles, pois a roupa é lavada nas máquinas.
É uma pena que muitos deles estejam abandonados, completamente entregues ás silvas e aos matos.
Outros porém, felizmente talvez a maioria, foram recuperados ou mantidos em óptimas condições, pelas autarquias respectivas, constituindo verdadeiros monumentos rurais, atraindo a atenção não só dos moradores locais, como também de quem visita essas aldeias, ou apenas passa por elas em viagem.
Hoje, na nossa volta pela zona das praias de Sintra, fomos encontrar na aldeia do Sacário, perto da praia do Magoito, um belíssimo exemplar destes antigos lavadouros, bem conservado e com um aspecto muito bonito e atraente. Pode ver-se a data em que foi feito - 1956. Tem portanto 54 anos!
Parabéns á autarquia! Pelo seu cuidado com o lavadouro.

Lendas de Portugal - A sopa de pedra


Imagem da net.

A lenda que corresponde a Almeirim tem a particularidade de ser das raras cuja repercussão atravessou o tempo e ainda hoje nos senta á mesa, água na boca, colher na mão para um saboreio a preceito. Seja, trata-se de uma festa mitográfica carregada de actualidade. Eis, pois, a sopa de pedra e a respectiva receita. Especialidade desta terra, a lenda enquadra-se num frade que tinha tanto de esfomeado - e não de comilão como por aí se diz - como de imaginativo.
Andava o frade no seu peditório e foi bater ao portão de um lavrador, onde esperava matar a fome. Porém, o lavrador era demasiado avarento e nada lhe quis dar. Não perdendo a bonomia, o frade disse:
- Bem, então vou ver se faço um caldinho de pedra...
Dito isto, baixou-se, pegou numa pedra, deitou-a fora, depois noutra, até que encontrou uma que pareceu agradar-lhe. O lavrador e a mulher, que entretanto acudira, observaram-no com atenção. A princípio, o casal riu-se, mas o frade encarou-os e perguntou:
- Nunca comeram caldo de pedra, pois não? É um petisco de truz!
Curiosos, os lavradores dispuseram-se a apreciar. Então, ele pediu-lhes emprestado uma panela de barro, que encheu de água e nela meteu a pedra bem lavada.
- Se me deixassem pôr isto a coser aí á lareira...
E quando a panela começou a chiar, o frade comentou:
- Com um pedacinho de unto, ficava um primor!
Veio o unto. Depois pediu sal para matar o enssosso.
- Com um nadinha de chouriço é que isto ganhava graça!
Depois pediu feijão encarnado, umas batatinhas, e tudo ia para a panela, onde saía um cheiro de aguçar o apetite a um morto. Os lavradores, aparvalhados, apreciavam o cozinhado e o frade lambia os beiços.
- E ficará bom? - perguntava o lavrador.
- Não se nota só pelo cheiro? - respondia o frade.
A mulher do lavrador anotava tudo num papel, que não conhecia a receita.
O frade tirou a panela do lume e serviu-se numa malga que também lhe emprestaram. Em três malgas bem saboreadas, o espertalhão despejou a panela.O lavrador e a mulher foram espreitar e viram a pedra no fundo.
- E a pedra, ó fradinho?
- Ora, a pedra...lavo-a e vai no alforge para servir outra vez...

Receita para 8 - 10 pessoas:

1 litro de feijão encarnado; 1 orelha de porco; 1 chouriço de sangue e outro de carne; 150gr de toucinho entremeado; 750gr de batatas, 2 cebolas, 2 dentes de alho; 1 folha de louro; coentros, sal e pimenta.
Demolhar o feijão umas horas, se fôr duro. Escaldar e raspar a orelha e cozê-la com o resto em muita água. Temperar. Se fôr preciso, acrescentar-lhe água a ferver. Quando a carne cozer, retirar e meter na panela as batatas aos cubinhos e coentros picados. Ao retirar a panela do lume, juntar.lhe a carne aos cubinhos e uma pedra bem lavada, que também deve ir na terrina de servir.

(In - Lendas de Portugal - Viale Moutinho)

sábado, 10 de abril de 2010

Porque hoje é Domingo (97)


Imagem da net.

"Nesse mesmo dia iam dois dos discípulos para uma aldeia chamada Emaús, a cerca de onze quilómetros de Jerusalém. Pelo caminho conversavam a respeito de tudo o que sucedera. No meio da conversa, Jesus aproximou-se e pôs-se a caminho com eles. Mas os seus olhos estavam incapazes de o reconhecer. Jesus perguntou-lhes: « Que é que vão a discutir pelo caminho? » Eles pararam, com um ar muito triste. Um deles, que se chamava Cleofas, respondeu: «Serás tu o único visitante que não sabe o que se passou em Jerusalém nestes últimos dias?« E Ele: «Mas o que aconteceu?» Eles responderam. «Aquilo que se passou com Jesus de Nazaré que era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de toda a gente. Os nossos chefes dos sacerdotes e as nossas autoridades entregaram-no para ser condenado á morte e pregaram-no numa cruz. E nós esperávamos que fosse ele quem viria libertar Israel! Mas com todas estas coisas, já lá vão três dias desde que isto aconteceu. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram em sobressalto, porque foram de madrugada ao sepúlcro e não encontraram lá o corpo. Depois vieram dizer-nos que tinham tido uma visão de anjos a anunciar-lhes que ele estava vivo. Alguns dos nossos companheiros foram logo ao sepúlcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas a Jesus não o viram.
Jesus, por fim, disse-lhes:«Mas que falta de entendimento e que lentidão a vossa para acreditar em tudo o que os profetas disseram! Então o Messias não tinha que sofrer tudo isso antes de ser glorificado?» E pôs-se a explicar-lhes o que acerca dele se dizia em todas as escrituras, começando pelos livros de Moisés e seguindo por todos os livros dos profetas.
Quando chegaram á aldeia para onde iam, Jesus fez como quem ia para mais longe. Mas eles convenceram-no a ficar: «Fica connosco porque já se está a fazer tarde; já é quase noite.» Jesus entrou e ficou com eles. Quando estavam á mesa, pegou no pão, deu graças a Deus, partiu-o e dividiu-o com eles. Foi nessa altura que se lhes abriu o entendimento e o reconheceram, mas nisto ele desapareceu. Diziam então um para o outro: «Não é verdade que o coração nos ardia no peito, quando ele nos vinha a falar pelo caminho e nos explicava as Escrituras?»
Levantaram-se e imediatamente voltaram para Jerusalém, onde encontraram os onze apóstolos reunidos com outros companheiros que lhes disseram:»É verdade que o Senhor ressuscitou! Simão já o viu!» Os dois que vieram de Emaús contaram-lhes então o que lhes acontecera pelo caminho, e como o tinham reconhecido no partir do pão.
(Ev.de S. Lucas cap. 24:13 a 35)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Ainda a Páscoa


Imagem da net.

«O maior acontecimento da história foi a vinda de Jesus Cristo a este mundo para viver e morrer pela humanidade. O segundo maior foi o movimento da Igreja que tinha como objectivo encarnar a vida de Cristo e espalhar o conhecimento da Sua salvação através da terra.

Não era fácil esta tarefa que a Igreja enfrentava ao descer do cenáculo. Continuar
o trabalho de um homem que se sabia ter morrido - e morrido como morrem os criminosos - e mais ainda, persuadir outros que este homem tinha ressuscitado dos mortos e que Ele era o Filho de Deus e o Salvador. Esta missão estava, naturalmente, destinada ao fracasso. Quem daria crédito a uma história tão fantástica? Quem iria pôr a sua confiança em alguém que a sociedade tinha condenado e crucificado? Deixada entregue a si mesma a Igreja teria desapaecido tal como aconteceu co milhares de seitas abortivas antes dela, e não teria dixado nada que a geração futura pudesse recordar.

O facto de a Igreja não ter desaparecido deveu-se ao elemento miraculoso que possuia. Este elemento foi fornecido pelo Espírito Santo que desceu no dia de Pentescostes, e que deu o poder a fim da Igreja cumprir a sua tarefa. Porque a Igreja não era uma mera organização, nem um movimento, mas uma encarnação viva de energia espíritual. E, na realidade, a Igreja alcançou vitórias espirituais tão prodigiosas que nos deixam estupefactos - não fora a intervenção de Deus.»
(In Caminhos para o Poder - de A. W. Tozer.)

MÃE - Almada Negreiros


Almada Negreiros

Mãe!

Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. depois venho sentar-me ao teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! ata as tuas mãos ás minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. como a mesa.Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão na minha cabeça !
Quando passas a mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

("Mãe" in Rosa do Mundo - Assírio & Alvim, Lisboa 2001)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Só por hoje...


Foto de Paulo Tavares
(www.olhares.com/lostparadises)
(www.paulotavares.pt.vu
)

No blogue - "Sapatinho de Cristal" -http://cassylautner.blogspot.com/
da minha querida amiga Cássia, encontrei este lindo texto, que com a sua permissão, publico hoje aqui.

SÓ POR HOJE

«Só por hoje... viverei meu dia, sem querer pensar, preocupado com o dia que vou ter amanhã.

Só por hoje... Sofrerei o que me acontecer, porque amanhã, quando amanhecer a luz, estarei melhor.

Só por hoje...quero me sentir feliz, quieto com a hora em que estou vivendo, devagarinho, em paz.

Só por hoje...vou pensar um pouco, vou ler alguma coisa, vou-me enriquecer de uma ideia certa e pura.

Só por hoje...vou-me ajustar aos fatos sem pretender que os fatos se ajustem a mim.

Só por hoje...vou fazer algum bem a alguém por o gosto de ver feliz um irmão meu.

Só por hoje...vou ir contra o meu defeito, aceitando sem me queixar, a primeira amolação que vir.

Só por hoje...vou calar, não contando logo o que aconteceu de triste, guardando-o dentro de mim.

Só por hoje...mostrarei uma aparência melhor, para nada acrescentar á cruz dos outros.

Só por hoje...vou falar menos, escutar mais, a fim de permitir que o meu irmão desabafe.

Só por hoje...vou desistir de corrigir todo o mundo, lembrando de que os outros sofrem defeitos por mim.

Só por hoje...vou fazer pequenino programa de vida, para ordenar, um pouco o curso das minhas horas.

Só por hoje...irei contra a minha pressa, contra a minha indecisão para não adiantar e não me atrasar.

Só por hoje...vou arranjar uns momentos de silêncio e reflexão, para me lembrar que tenho uma alma.

Só por hoje... vou acreditar na beleza, na bondade e na fé, indo falar com Deus, com quem tanto conversava minha mãe.

(Pe. Vasconcelos)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Palavras sábias de Martin Luther King


Florinha da Ilha de Utto - Finlândia

«Saiba que o seu destino é traçado pelos seus próprios pensamentos, e não por alguma força que venha de fora. O seu pensamento é a planta concebida por um arquiteto para construir um edifício denominado prosperidade. Você deve tornar o seu pensamento mais elevado, mais belo e mais próspero»

(Martin Luther King)