quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Doces Lembranças - Um poema de João Apolinário

   O poeta e Jornalista João Apolinário - Fonte da Imagem: http://pt.wikipedia.org

Doces Lembranças

Que doces lembranças
das coisas ausentes
que me apetecem
e trinco nos dentes

Maçãs da infância
criadas ao Sol
com a casca madura
e o bichinho secreto
na ávida boca.

Que viagem de sonho
aos sonhos perdidos
dos cinco sentidos
que agora transponho
dentro da memória.

Que névoa difusa
fronteira de vidro
impede que eu chegue
a tocar com a mão
o que a mão tocou

Que desesperanças
das coisas ausentes
que me apetecem
e trinco nos dentes
da imaginação

Que doces lembranças
das maçãs da infância.

 (João Apolinário - no livro- O Poeta Descalço)

Nota:

Para quem desejar conhecer melhor este autor, aqui deixo os seus dados biográficos:

João Apolinário Teixeira Pinto,nasceu em Belas - Sintra - (mesmo aqui ao lado de Mira-Sintra) em 18 de janeiro de 1924, e faleceu em Marvão a 22 de Outubro de 1988. Foi um poeta e Jornalista português.Combateu o fascismo tanto na  sua terra natal, quanto em seus anos de exílio no Brasil. Colaborou em inúmeras publicações importantes nos dois países. É, no entanto, mais conhecido por seus
poemas, musicados pelo filho João Ricardo e apresentados  pelo conjunto "Secos e Molhados" .

Infância e Formação

 Viveu parte da infância no Vale da Pomba, propriedade familiar em Lebução,  Chaves,  onde fez o curso primário. Depois estudou em Lisboa,  no Colégio Valsassina e no Liceu Camões  e cursou Direito na Universidade de Coimbra e Lisboa.  Mas já surgira a poesia

Jornalista

Aos 21 anos, optando por não advogar, poeta já assíduo da Brasileira do Chiado e jornalista, foi para a França como correspondente da Agência Logos. Viver os terríveis últimos tempos da Segunda Guerra Mundial marcou-o definitiva e cruamente. Depois de alguns anos em Paris  - frequentou Artes Gráficas na Sorbonne  conheceu  Sartre, Simone de Beauvoir. os intelectuais do Café de Flore,  Antonin Artoud, Jean Genet, Marcel Marceou, Ediht Piaf,  viu o teatro de rua de  Henri Gheon- voltou a Portugal. Sequelas de um acidente ocorrido nos únicos quatro meses de prestação do serviço militar no Batalhão de Artilharia Um, de Lisboa, levaram-no a mudar radicalmente os planos, após meses de um tratamento severo em Genebra. Acabou a recuperação na casa da mãe, D. Helena Teixeira Pinto Iniciou a carreira de jurista. Casou-se pela primeira vez, teve dois filhos, João Ricardo e Maria Gabriela. Integrou grupos de intelectuais, poetas e jornalistas. Foi cofundador do Teatro Experimental do Porto e com este o génio e a modernidade de Marcel Marceau e de Jean Genet chegaram ao país.

Exílio

A prática cultural, nunca partidária, de João Apolinário, na poesia, no teatro, no jornalismo, especialmente na crítica e na reportagem; a acutilância de suas ideias antifascistas e não colonialistas, mais acções de real protecção a quem delas necessitasse, resultaram em prisões, torturas e, pior, tempos dolorosos de afastamento dos filhos, João Ricardo,  e Maria Gabriela.
Publicou Morse de Sangue, livro memorizado numa cela subterrânea de Peniche, durante cinco dias e cinco noites; Primavera de Estrelas, O Guardador de Automóveis, A Arte de Dizer. Foi secretário, na delegação do Porto, da  Associação Portuguesa de Escritores, durante a presidência de Aquilino Ribeiro.  Recebeu companhias teatrais brasileiras, como a de Cacilda Becker,    actriz maior em língua portuguesa. Como resultado disso, em 1963, começou a viver o exílio imposto pela polícia política do regime. Partiu para São Paulo   em dezembro daquele ano.
Durante três meses, de Janeiro a Abril, na redacção do jornal Última Hora,  de São Paulo, usufruiu, pela primeira vez, do privilégio da liberdade de expressão e de uma vida diária sem pressões político-policiais. Em Abril de 1964 teve início um período longo de ditadura militar no Brasil. O poeta, jornalista a tempo inteiro agora, voltou a escrever nas entrelinhas. Para não ter seu pensamento alterado por um qualquer director de jornal, mesmo que amigo, suas críticas de teatro, na Última Hora e no jornal O Globo  não foram pagas. Ele assim o decidiu e fez. Assimilou a cultura brasileira. E por ela deixou-se assimilar. Tanto que sofreu ameaças de morte do CCC:  Comando de Caça aos Comunistas. Era nacionalista num país em que foi crime, desde sempre, sê-lo.
Em São Paulo ainda foi editor de artes e chefe de redacção de dois jornais, num período de doze anos. Casou-se pela segunda vez. Viajou pelo país e pela  América Latina: Uruguai, Argentina, Colômbia. Conviveu com intelectuais e artistas num forte novo mundo. Teve amigos chilenos, intelectuais actuantes, mortos pelo regime de Pinochet.

 Fundou, com outros jornalistas, a APCA –  Associação Paulista  de Críticos de Arte. É uma referência incontornável na crítica teatral brasileira por ter o espectáculo como sujeito. Ensaiou uma ideia nova de teatro e não teve tempo de experimentá-la.

Volta

 Houve poesia. Muito do que está contido no Poeta Descalço. Viveu, no dia  25 de Abril de 1974, a enorme alegria, por um tempo breve, sim, mas pode vivê-la, de ver Portugal livre do fascismo. Em Setembro visitou o país. E numa semana de Dezembro escreveu Apátridas, poema exultante e exaltante de sua obra, Integrada em diversas edições da História da Literatura Portuguesa. Em Abril de 1975 voltou a Portugal. Por razões várias, inesperadas, não deixou de ser jurista, como pretendia. Dividiu-se novamente. No entanto, seu trabalho poético cresceu e publicou AmorfazerAmor, Poemas Cívicos, O Poeta Descalço e Eco Húmus Homem Lógico. De 1980 a 1988 escreveu Sonetos Populares Incompletos, ainda inédito. Ser poeta, não poeta bissexto, como dizia, não chegou a sê-lo. A morte surpreendeu-o a 22 de Outubro de 1988, justamente quando havia reencontrado, na vila de Marvão, o silêncio e o tempo para ver mudar a cor das flores.

  ( http://pt.wikipedia.org/)
 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Muitos Parabéns, Zé!

                                       O Zé em primeiro plano, na Madeira.

Faz hoje 31 anos que nasceu o Zé (José Jorge), o meu filho mais novo.
Eu já tinha 41 anos. Tudo correu bem, tanto a gravidez como o parto.
Foi o meu quinto filho. Já tinha o Pedro, o Miguel, o João e o Daniel...que vive no céu. A chegada do Zé encheu toda a família de felicidade!

Quem o conhece sabe o quão afável e generoso é o Zé!
Os oito sobrinhos, do mais velho á mais pequenina, todos gostam muito dele!
E ele...dos sobrinhos.

É um bom cristão, que interiorizou desde pequenino os ensinamentos da Palavra Sagrada. Hoje, como professor da Escola Bíblica Dominical, na "nossa igreja", é uma benção, pois tem o dom de apresentar a Palavra de tal forma, que desde os mais novos aos mais velhos, ficam "presos" ao ensino. Que o diga a sobrinha Beatriz.

Pelo natal, tornou-se independente. Alugou uma casa e foi viver sózinho; aqui bem perto, vejo a sua casa aqui desta janela.Está a daptar-se muito bem.
Continuo a orar ao Senhor por a nora que me falta. Logo, logo, o Senhor a mostrará, eu sei.

Parabéns, Zézito!
Obrigada por nos dares tanto!

Qeremos muito que Deus te abençoe, te oriente e te proteja.
Que possas realizar os teus sonhos e ser muito feliz!

Um beijo da mãe


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Morreu Jaime Neves



            O Major General Jaime Neves. Fonte da imagem:http://31dasarrafada.blogs.sapo.pt

       É assim, que eu recordo Jaime Neves  - Fonte da imgem: http://www.publico.pt/

Eu sei que devo tratá-lo por  Senhor Major General Jaime Neves; porém,  para mim, que tenho por ele a maior estima e a maior consideração, ele foi sempre, e continuará a ser, apenas, Jaime Neves. Recordo perfeitamente o seu papel, quer no 25 de Abril de 1974, quer no 25  de Novembrode 1975. Considero que foi um grande militar, um grande patriota e  um grande homem. Tenho para com ele um sentimento de profunda gratidão que me leva a dizer-lhe: Muito obridada, Jaime Neves.

 Publico aqui, um pouco do muito, que os meios de comunicação social dizem hoje a seu respeito:

"Durante o 25 de Novembro de 1975, Jaime Neves liderava o regimento de Comandos da Amadora, uma das unidades militares que pôs fim à influência da esquerda militar radical e conduziu ao fim do PREC. Foi Jaime Neves que liderou o ataque dos comandos ao quartel da Calçada da Ajuda, em Lisboa, onde obteve a rendição das chefias da Polícia Militar.
Na reserva desde 1981, Jaime Neves era um dos mais medalhados comandos do Exército, tendo-se reformado com a patente de coronel.
Em 1995, foi condecorado pelo então Presidente da República, Mário Soares, com a medalha de grande-oficial com Palma, da Ordem Militar da Torre e Espada, do valor, Lealdade e Mérito.
Já em 2009, por proposta do antigo chefe de Estado Ramalho Eanes e do general Rocha Vieira, Jaime Neves foi promovido a major-general pelo Presidente da República, Cavaco Silva.
O processo causou polémica entre os militares, que contestaram o facto de este tipo de promoção, apesar de prevista no estatuto militar, nunca foi utilizada para promover um oficial na reforma, sobretudo, a um posto de topo.
A polémica foi tanto maior por a promoção ter coincidido com as celebrações do 35.º aniversário do 25 de Abril e por nenhum dos oficiais do 25 de Abril ter sido objecto de tratamento idêntico.
Além dos militares, também o Partido Comunista, se insurgiu com a promoção. Jaime Neves desvalorizou as críticas e respondeu: “Os cães ladram, a caravana passa”.

    ( http://www.publico.pt/)

 "O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, enviou neste domingo uma mensagem de condolências à família do major-general Jaime Neves, considerando-o "um exemplo inspirador de dedicação ao país" e um lutador pela liberdade em Portugal.


Faço votos que todos os portugueses, ao evocarem a memória desta grande figura dos nossos comandos, encontrem na sua vida um exemplo inspirador de dedicação ao país e de entrega sem reservas aos valores da liberdade e da democracia", salienta Cavaco Silva

"Portugal deve-lhe muito. Dotado de uma coragem extraordinária, lutou pela liberdade em duas ocasiões históricas decisivas: Em 1974, no 25 de Abril, na queda do regime autoritário; e, mais tarde, quando a 25 de Novembro de 1975 foi necessário impedir o avanço daqueles que, pela força das armas, pretenderam atraiçoar os ideais da revolução democrática", apontou o Presidente da República.
Foi já com Cavaco Silva como Presidente da República que em Abril de 2009, por sugestão dos generais Ramalho Eanes e Rocha Vieira, foi promovido a major general. 


Passos Coelho fala de “militar de excepção”
Também o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, lamentou a morte do general Jaime Neves e elogiou-o pela sua "contribuição extraordinária para a implantação da democracia" em Portugal.
"O general Jaime Neves foi um militar de excepção, um homem que deixou uma contribuição extraordinária para a implantação da democracia no nosso país", afirmou o primeiro-ministro, referindo que o general "esteve envolvido no movimento dos Capitães de Abril, em 1974, e foi ainda uma das peças muito relevantes para o desfecho do 25 de Novembro". ( ((http://www.publico.pt)


domingo, 27 de janeiro de 2013

Porque hoje é Domingo (234)


«Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará.
Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está agindo como juiz.
Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?
Ouçam agora, vocês que dizem: "Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro".
Vocês nem sabem o que acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa.
Em vez disso, deveriam dizer: "Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo".
Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna.
Portanto, pensem nisto: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz comete pecado».

  (Ep. de S. Tiago cap.4:10 a 17)
Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos;

Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.

Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo.

Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna.

Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.
Tiago 4:13-17

sábado, 26 de janeiro de 2013

Portugal Sou Eu



O Portugal Sou Eu, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros 56/2011, é um programa do Ministério da Economia e do Emprego que visa a valorização da oferta nacional. A economia nacional enfrenta um conjunto de desafios, incluindo-se a dinamização do seu tecido empresarial, uma aposta na reindustrializaçao e em bens transacionáveis como fundamentais.

O que é nacional pode ser bom. 

  

Mais do que um dever, o incentivo ao consumo de marcas portuguesas é uma necessidade. Tal como disse Carlos Oliveira, secretário do Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, no lançamento do Portugal Sou Eu, em dezembro último, "se num cabaz de compras de 100 euros de produtos importados passarem a ser comprados cinco euros de artigos" com o selo Portugal Sou Eu, o impacto será de "700 milhões de euros anuais".



O programa Portugal Sou Eu é dinamizado através de um conjunto de iniciativas,desenvolvidas pelas entidades que fazem parte do Órgão Operacional, visando mobilizar consumidores e empresas, sensibilizando-os para a importância da incorporação nacional nos produtos, o impacto na produção nacional e na recuperação da economia portuguesa
( http://portugalsoueu.pt/)
   

Num tempo, em que o povo português tem penosos sacrifícios a cumprir, devido á situação dificílima em que o País se encontra; num tempo em que há milhares e milhares de portugueses - sobretudo jovens - desempregados; num tempo em que os nossos governantes têm sobre os ombros uma tarefa hercúlea; é necessário e imperioso, que cada cidadão dê o seu contributo, faça o que  estiver ao seu alcance, para, unidos, com os olhos postos na Pátria e no seu futuro, podermos como povo e como nação  recuperar a nossa soberania total, e sermos nós, como nação a decidir o que queremos para o futuro de Portugal.
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Uma forma de o fazer é dar preferência e comprar,  produtos nacionais. Sabemos que TEMOS DO MELHOR DO MUNDO! Desde a água, ao vinho, aos produtos hortículas e aos frutos, ao calçado, ás conservas, ao leite, manteiga e queijo...e muitas, muitas outras coisas que são do melhor que há...e que nós, comprando, estamos a ajudar Portugal e os portugueses.
Lembremos o esparguete: "O QUE É NACIONAL É BOM"!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Depois da Guerra, o paraíso era Portugal

 
Crianças austriacas a caminho de Portugal. Fonte da imagem: 
  (http://www.publico.pt/)

"Entre 1947 e 1952, 5500 crianças austríacas foram acolhidas por famílias portuguesas. Fugiam das marcas da II Guerra Mundial: a fome e o frio, o pai que tinha ficado na guerra. “Lá é o paraíso”, diziam-lhes as mães antes da partida. De regresso, já ninguém as entendia, já só falavam português".

  O texto é longo, no entanto, creio que valerá a pena lê-lo todo.

Alegra-me recordar  isto... e é por causas como esta, que eu sinto orgulho do meu  povo e do meu país - Portugal.

"Nunca na vida Fini Gradischnig tinha visto uma banana ou uma laranja. Nem imaginava que numa terra mais a sul da sua, a Áustria, houvesse gente a comer sopa fria de tomate. Muito menos imaginava um país em que as crianças pudessem brincar despreocupadas um dia inteiro. Filha da II Guerra, nascida no Inverno de 1941, um dos mais rigorosos do século, sabia bem o que era passar fome ou não ter pai – o seu “foi para a Rússia e lá ficou”. É tudo o que sabe dele.
Um dia, numa aula, um professor perguntou quem queria passar umas férias fora do país, em casa de uma família, que poderia ser portuguesa, espanhola, suíça. Fini Gradischnig tomou logo a decisão. Até porque gostou muito de uma daquelas palavras: Portugal (não sabia ainda que nunca mais se separaria dela). Tinha oito anos e tratou de tudo, até dos papéis para a viagem e de conseguir a assinatura da mãe. “Era assim, éramos muito mais independentes, também fruto daquele tempo horrível.”

A família que a esperava em Lisboa era de Lagoa. E é daí, onde vive actualmente, que parte para Lisboa para nesta quinta-feira, às 18h30, no Centro Cultural de Belém, contar a sua história, no lançamento da “Acção Crianças Cáritas Portugal”, uma iniciativa que recorda o acolhimento de milhares de crianças austríacas por famílias portuguesas nos anos que se seguiram à II Guerra Mundial. A exposição, no CCB, pode ser visitada até ao fim de Janeiro.
Ao mesmo tempo, as Cáritas portuguesa e austríaca lançam uma campanha de angariação de fundos para ajudar famílias portuguesas carenciadas (a maior parte do dinheiro será recolhido na Áustria, num gesto de agradecimento a Portugal). “Como Portugal está a passar por tempos difíceis, com as crianças a sofrerem as consequências da crise, era o momento certo para agradecer esta generosidade”, explicou o embaixador da Áustria, Bernhard Wrabetz, que promoveu a iniciativa.
Como Fini, outras 5500 crianças austríacas foram acolhidas, entre 1947 e 1952, por famílias portuguesas, num programa da Cáritas. Fugiam à destruição e à miséria do pós-guerra. Em Viena, entravam num comboio com destino a Génova, em Itália, onde eram esperadas por um barco que as levaria ao destino final, Lisboa, numa viagem raramente calma, quase sempre horrível. Levavam uma mala e, ao pescoço, um cartão com o nome, um número e o apelido da família que os iria buscar no destino.


Uma viagem dura

A viagem era dura. Demoravam uma semana a chegar. Eram centenas de crianças, muito juntas. Há quem conte que veio a dormir debaixo dos bancos do comboio. Alguns ficavam doentes durante esses dias, no barco quase todos enjoavam, incluindo os funcionários da Cáritas que as acompanhavam até serem entregues às famílias, já depois de um banho que tomavam logo à chegada.
Mas Portugal seria “o paraíso”, tinham-lhes prometido. E é assim que Fini descreve o que encontrou. Depressa as casas semidestruídas em que viviam nas grandes cidades austríacas dariam lugar a outras que lhes pareciam enormes, em aldeias ou pequenas vilas espalhadas pelo país. “Tudo era grande e bonito, de mais para mim, assustava-me um bocadinho”, contou esta austríaca ao PÚBLICO numa conversa ao telefone a partir de Lagoa, onde vive.


“Lembro-me que depois de chegar e de tomar banho a minha mami [mamã, em alemão] me vestiu um vestido com uns barquinhos bordados e eu senti: ‘Pronto, agora és uma princesa.’” Quase todas aquelas crianças passaram a tratar as pessoas que as receberam por pais – sem se esquecerem que havia uma família na Áustria à espera delas. Neste caso a mami era a filha mais velha do casal que a acolheu. Também essa "irmã" estará hoje no Centro Cultural de Belém.
Muitas das crianças ficaram em vilas e aldeias do Alentejo e do Algarve, outras foram para Norte. O sotaque do Alto Minho (e nada que se pareça com alemão) com que Hannelore Rodrigues Cruz atende o telefone fica explicado quando conta que nunca fez a viagem de regresso à Áustria.
Pouco se lembra dos anos que se seguiram à guerra. Nasceu em 1943 e chegou a Portugal com cinco anos. Recorda-se, isso sim, da infância na casa dos "pais adoptivos", uma casa senhorial numa quinta em Ponte de Lima. Da escola que ficava longe (três quilómetros a pé com o pai, que trabalhava na câmara, mais um autocarro), da quinta, de andar ao ar livre, de bicicleta, de passar tempo na casa dos caseiros. "Gostava deles, de ver a criação que eles tinham. E as vacas, eu adorava puxar por elas, trazia-as", recorda.


Uma aldeia junto a Espanha

Voltou a Viena já com 23 anos para conhecer a família, com quem toda a vida tinha trocado correspondência – e com todas as dificuldades de quem já não falava alemão. Nunca viu o pai que, como todos os pais, estava em combate. Ele viu-a uma vez, foram-na mostrar aos dois anos. Mas essa viagem a Viena não durou mais do que três meses. Voltou para Portugal para terminar o curso de Canto no Conservatório, teve filhos e trabalhou sempre como professora de Educação Musical. O casal que a acolheu – a quem chama "pais adoptivos" apesar de nunca a terem chegado a adoptar – deixou-lhe parte dos bens em testamento.
Stefanie Wiedermann, que hoje tem 74 anos, é excepção. Primeiro, foi preciso convencerem-na de que seria bom ir para Portugal. Depois foi das poucas a não querer ficar. Quando chegou foi buscá-la um "senhor alentejano muito alto, muito magro, num desses [carros] dona-elvira". Chamava-se José Lourenço Ventura. Ela chamou-lhe "padrinho". "Fui parar ao Alentejo, junto à fronteira com Espanha, mas é muito bonito". E assim trocou Viena durante oito meses por uma aldeia em Portalegre, chamada Porto de Espada. "Cheguei e não percebia nada, mas fui aprendendo."
Era tudo demasiado diferente: numa aldeia tão pequena, todos os alunos da escola primária em que a inscreveram tinham aulas na mesma sala, juntos. Os meses passavam e as saudades da mãe apertavam. Ao contrário das outras crianças, ela não queria ficar em Portugal. Foi para a Áustria e esqueceu-se logo do português: não queria voltar a sair.


E como é que acabámos a ter esta conversa em Lisboa, numa casa em que Stefanie vive há 48 anos? Aos 20 anos veio visitar a família do "padrinho" a Portugal e decidiu que queria voltar a falar português. Foi para casa de uma amiga em Lisboa tirar um curso de Língua e Cultura Portuguesa na Faculdade de Letras (depois de a mãe ter enviado uma autorização de Viena porque o "padrinho" não via com bons olhos a ideia de ir "uma rapariga sozinha para Lisboa") e aí conheceu António. Conseguiu um emprego na secção comercial da embaixada e nunca mais voltou para a Áustria.

"Uma criança não se dá"

Até nas aldeias era comum haver mais do que uma família a acolher crianças ao mesmo tempo. E muitas perderam o contacto umas das outras quando regressaram às suas cidades na Áustria. Por isso, em 1998, Waltraud Hoffinger, que esteve por duas vezes em Portugal – acolhida pela família do "sr. dr. Lavadinho", um veterinário de Campo Maior – pediu listas à Cáritas, fez contactos, pôs anúncios em jornais à procura das pessoas que tinham estado em Portugal depois da II Guerra. Todos os meses há um encontro em que se juntam uns 30, da zona de Linz, onde vive. "E quando faço uma festa são 50 ou 60."
A partir desses contactos organizou, há 12 anos, uma viagem a Portugal de todas essas "crianças". Muitas já tinham perdido o contacto das famílias que as tinham acolhido e hoje é ela que lhes serve de tradutora e de intérprete. O português não esquece graças aos "amigos da RTP", a que está "sempre ligada", e à correspondência que nunca deixou de trocar com a família que deixou em Portugal.

Waltraud conta a sua história ao telefone, de Linz. Mas em Lisboa conversámos com a “irmã do coração”, Maria Beatriz, que sempre lhe chamou "Traudi". Quis falar sobre a chegada, sobre o deslumbramento com as casas de banho de verdade, com os vestidos mandados costurar de propósito e os laços para as tranças. E os bibes com folhos que as meninas de Campo Maior usavam na altura.
Maria Beatriz mergulha nos recortes e nas páginas de jornais que ao longo dos anos foi guardando religiosamente, em envelopes etiquetados. Lê todos os títulos, explica as fotografias. E detém-se numa frase que quase todos repetem: ao fim daquele ano em Portugal ninguém queria voltar para casa. “Isto é muito triste, no final muitas crianças não quiseram voltar”, comenta Maria Beatriz. “E as famílias ficaram… tristes.” Ao fim da sua segunda temporada em Portugal – que durou mais de três anos – Fini tentou ficar para sempre. A avó não deixou, disse: “Uma criança não se dá”.
Voltou então. Mas "sempre com as saudades". Um dia, 26 anos depois, foi o marido que lhe disse: "Tens de ir para Portugal, deixaste lá metade do teu coração." E vieram os dois, para uma casa muito perto de onde passou quatro anos da infância, em Lagoa.

  




quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Finalmente! Agora, sei o mome desta Flor

                          Bergénia - Fonte da imagem: http://www.claireaustin-hardyplants.co.uk/

Conheço estas flores desde criança. Em Leiria, onde passei parte da minha infância e juventude, havia-as por lá.Não muitas. Lembro-me da Quinta de S. José, no Arrabalde da Ponte, quinta onde vivi vários anos, essa quinta tinha um belo jardim com um repuxo, como era costume naquela época. Á volta do repuxo, um canteiro redondo, onde estas flores abundavam. Praticamente, estavam floridas todo o ano. Depois, saí de Leiria e vim para Lisboa, e por os arredores da capital comecei a vê-las também. Sem nunca saber o seu nome.
Sei o nome de muitas, muitas flores, arbustos e plantas, porém esta, eu até estes dias continuava sem saber o nome; até que num site na internete, pocurando outra flor...fui encontrar o nome desta. Fiquei muito, muito contente. Conhecia-a aí aos 15 anos e vim a saber o seu nome aos setenta e dois.
O seu nome é Bergénia!
E, já agora, porque não a divulgar aqui, para conhecimento dos amigos?
Eis o que encontrei:

Fonte da imagem:  http://www.claireaustin-hardyplants.co.uk/

"Da família das Saxifragaceae, são aspectos como a sua floração (abundante, em cones de flores) e a persistência da sua folhagem (folhas em forma de coração em tonalidades de verde), bem como o seu pequeno tamanho (nanofanerófito), que lhe conferem as características ornamentais mais importantes na Arquitectura Paisagista.

Entre nós é muitas vezes usada, e com sucesso, como espécie tapizante nos locais menos soalheiros, aparecendo também em maciços em conjunto com outras espécies arbustivas ou mesmo isoladamente.

   (http://bloguedoreis.blogspot.pt/)

Fonte da imagem: http://devericuetos.blogcindario.com/


Descrição: 

"Em Bergenia crassifolia ou B. cordifolia, também conhecido como inverno hortênsia, aparecem do final de janeiro para início da primavera, dependendo da região, em pequenos grupos de flores rosa. Ao contrário da hortênsia é um porta-enxerto perene de poderoso, muito forte, porque se trata da Sibéria e da Ásia Central, onde o clima é muito extremas. 
 As folhas são perenes, grandes e bastante difícil, verde brilhante, com nervuras bem marcadas, surgindo a partir do rizoma, onde suas hastes longas na base assumem uma cor avermelhada. Existem variedades, onde as folhas são roxas, em outros, o cobre se transforma efeito o verde de frio no inverno.Normalmente as plantas são arredondados bergenias 30 a 50 centímetros de altura e pode desenvolver uma espécie de tronco com a idade. No meio do inverno começa a ter cachos de flores em forma de sino, geralmente rosa, embora algumas variedades podem dar flores magenta, vermelho, roxo ou branco. Flor de maio novamente no outono.


 Cuidado e cultivo: 

Precisa de um local na sombra parcial, especialmente em regiões de sol forte e um substrato fértil e fresco solos calcários para ser apropriado. Resiste pobres solos secos e falta de água para rega deve ser moderada, mas sem as inundações, o que pode causar apodrecimento do rizoma.
O Bergenia exige poucos cuidados. É o suficiente para cortar através da base de folhas mortas e flores para manter florescendo durar até o verão, mas é uma questão puramente estética. No entanto, os caracóis e lesmas são folhas e caules muito gostosa, então você tem que mantê-los longe.

Usos: 

É perfeito em jardins de rocha, as fronteiras e como pavimentos. Mas também viver bem em vasos e recipientes, garantindo que o sol não muito, como a seca do substrato antes e posso forçar a planta.

Multiplicação: 

Isto é feito pela divisão da planta sendo os melhores momentos do ano, no outono ou primavera, assim são para multiplicar as cópias através de segmentos de rizoma são fornecidos com um botão com as folhas."

          (http://www.guiaverde.com/)