No percurso da nossa, vida encontramos pessoas com um interior tão belo, tão rico e tão especial, que nos tocam de uma forma indelével, de tal modo que caminham connosco, e connosco ficam para sempre. Pode ser um vizinho, um colega de trabalho, um colega de escola ou um professor. Geralmente são pessoas que nos transmitem valores, ensinamentos, beleza e sensibilidade.Numa palavra: Fazem a nossa vida melhor e mais bonita.
Nos meus setenta e dois anos de caminhada, entraram na minha vida e no meu coração, muitas pessoas assim.Hoje, porém, preciso de falar de um Homem - O Dr. Júlio Roberto, que conheci quando fiz um curso pós-base de Enfermagem de Saúde Pública, há cerca de trinta anos, e que foi meu professor de Nutrição.
Era uma pessoa tão linda, tão especial, tão alegre, com tanta beleza interior, que nós, alunos adultos, esperávamos com impaciência as suas aulas. Poeta, Escritor, Filósofo, Especialista em alimentação humana e Ecologista, tinha tanto para nos ensinar... Pedíamos-lhe que nos recitasse os seus poemas, ao que ele sorrindo, acedia.
Fundou a ITAU - Instituto Técnico de Alimentação humana S.A - na baixa de Lisboa, que ensinou aos portugueses a comer de uma forma saudável. É da sua autoria o primeiro Poster sobre os direitos da Criança, e tantos, tantos outros, que hoje fazem parte da Biblioteca Nacional, onde praticamente toda a sua extensa obra, está preservada e protegida.
O Dr. Júlio Roberto faleceu anteontem.O seu Corpo estará a partir das dez horas da manhã de hoje, na Igreja de Santo António, em Nova-Oeiras, de onde o seu funeral sairá para o Cemitério de Oeiras, ás 15,30 h.
Desejo á família enlutada, o consolo e o conforto que nestas situações de grande dor, só o Senhor - Deus pode dar.
Ao Dr. Júlio Roberto, meu professor e meu amigo, agradeço, de coração, tudo quanto de importante e belo me ensinou, e ainda a forma como marcou a minha vida com toda a sua riqueza interior.
A minha sincera e sentida Homenagem, e o meu muito, muito obrigada por tudo o que fez, por tudo que nos deixou e por me ter ajudado a abrir os olhos para o que é belo e para o que é realmente importante.
Para quem estiver interessado em conhecer melhor este Grande e Bom homem, aqui deixo alguma informação a seu respeito.
BIOGRAFIA - Júlio Roberto nasceu em Évora em 1929. Filósofo
do Homem, poeta e ecologista, escreve e fala sobre o "novo homem", livre
dos sistemas políticos e dos conceitos que impedem a revelação de
"Ser".
A forma poética e clara com que expõe questões fundamentais à
existência humana foi certamente um dos motivos porque foi convidado
pelo Conselho da Europa para escrever um livro sobre os Direitos
Humanos, que tem por título "Tu És um Ser Humano" e as suas mensagens,
de conteúdo ao mesmo tempo simples e profundo, fazem lembrar por vezes
Ivan Ilitch, T. Chardin, Nietzsche e St. Exupéry.
Professor, conferencista, escritor e poeta, membro convidado por
Associações Ecológicas e Humanistas, bem conhecido em Portugal, Brasil e
África, sobretudo pela juventude que quer "mudar o Mundo", director e
fundador das Edições ITAU, este autor merece sem dúvida o comentário que
alguém lhe dirigiu: "Júlio Roberto, um Homem que vale a pena".
O seu valor não está nos seus diversos títulos mas no facto de
compreender a alma humana e saber que a descoberta do nosso mundo
interior nos leva ao reencontro com nós próprios, ou seja, ao Ser.
BIBLIOGRAFIA - Tu és um Ser Humano; Carta urgente sobre a
Qualidade de Vida; Uma Revolução para o Homem; Vamos Aprender a Comer; A
Descoberta do Amor; Reconstruir o nosso Mundo; Colecção "Cartas"; Todas
as Respostas estão em Ti; Poema Ecológico; Portugal à Mesa; Os nossos
Alimentos; Reaprender a Viver; Ecologia Humana; Parábolas da Alma;
Jardim do Poeta; Pedaços de Mim e dezenas de Posters que correram Mundo.
Frassino Machado
(http://www.puxaprariba.blogger.com.br/)
Ainda, um poema seu
A Prenda que eu Queria
Se tu me entendesses,
se tu me entendesses,
meu pai, meu professor, meu amigo
Se tu me entendesses,
eu podia falar contigo
Não na tua linguagem, mas na minha
Podia até brincar contigo,
contar-te histórias de bichos de conta,
de borboletas azuis e amarelas,
de estrelas e pássaros
Se tu me entendesses,
se tu pudesses regressar até mim,
subindo ou descendo
Eu podia abraçar-te, sem mais nada,
só abraçar-te!
Se tu me entendesses, eu não queria nada
do que tu me queres dar
Se tu me entendesses, eu ficava tão contente
tão contente, que o meu riso havia
de alegrar o teu mundo triste
Se tu me entendesses, eu… eu sei lá!
Se tu me entendesses,
eu fazia-te festas,
andava contigo de mão dada,
cantávamos juntos
a canção da vida,
corríamos pela erva verde
Se tu me entendesses, ah! se tu me entendesses,
não me ralhavas, não me davas ordens,
não me batias, não me magoavas
Se tu me entendesses, neste dia,
que dizes que é meu,
Se tu realmente me entendesses
NÃO QUERIAS FAZER DE MIM
UM HOMEM COMO TU
E eu dava-te um beijo
Um menino do mundo
Júlio Roberto
A prenda que eu queria
Lisboa, ITAU, 1978