segunda-feira, 30 de setembro de 2013

E por fim...a chuva chegou a Mira-Sintra


O espaço abaixo da minha janela e a vista ao longe
 A janela com a chuva
Este, foi um verão quente e cheio de luz. Quantas vezes abri a janela deste terceiro andar, exclusivamente para apreciar, interiorizar, guardar nos olhos e na alma, aquele azul, tão azul! E aquela luz tão viva tão forte, tão especial!
Uma delicia mesmo!

Muitos meses  se passaram sem uma pinga de chuva. O ar começava a "ficar pesado" e meio sujo. A natureza clamava por um pouco de água para se dessedentar. A època de praia, este ano, foi extensa, e  até á chegada do Outono, ainda estava bom para ir até á praia. E há tantas tão lindas aqui á volta.

Mas, um dia a chuva tinha que vir... e veio, a semana passada. Primeiro, um pouco envergonhada, quase a medo. Mas depois, creio que se apercebeu da felicidade e do prazer das plantas, arbustos e árvores...e então veio para ficar. Está aí. Desde ontem de manhã que ela não pára de cair; miudinha, miudinha, cercada de uma neblina espessa que apenas nos permite enxergar algumas dezenas de metros. Procuro a minha Serra amada e querida, de Sintra, mas apenas vejo neblina cinzenta, quase branca, Nem Serra, nem Palácio, nem os prédios de Fitares ou de Rio de Mouro.

Mas está tudo bem! Está tudo muito bem, mesmo! Tudo tem um tempo, como dizia o sábio rei Salomão; ou, tudo tem o seu tempo, como dizia a minha mãe. Agora é tempo de chuva. O Deus Criador sabe disso muito bem. Eu olho da janela e sorrio feliz, por constatar que os dois pinheiros da rua; os dois canteiros acabados de plantar com alegrias de casa e com relva, os  muitos  "Lauréis" -  assim lhe chamava a minha mãe em castelhano - têm um outro nome em português do qual não me lembro - mas dizia. os muitos Lauréis da cerca da Escola Secundária aqui mesmo ao lado, ainda cheios de flor...parecem sorrir para mim...regalados com a preciosa águinha da chuva.

Olho o céu cinzento escuro, vislumbro o meu Senhor por trás das nuvens, e, comovida e imensamente grata, sorrindo, com uma lágrima a rolar pela face...digo-lhe: Obrigada Senhor,  porque não só criáste, mas sustentas e cuidas, toda a obra magnífica que nos ofertáste, com imenso e terno amor.

domingo, 29 de setembro de 2013

Porque hoje é Domingo ( 266 )

O Pastor Jorge Leal, pregando a Palavra na Igreja das Boas Novas - Amadora
Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.
Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.
O homem bom, do bom tesouro do seu coração, tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração, tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.
E porque me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?
Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante:
É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou,  e abriu bem fundo, e pôs os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu  com ímpeto a corrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha.
Mas, o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande  a ruina daquela casa.

   (Ev. de S. Lucas cap. 6:43 a 49)

sábado, 28 de setembro de 2013

Do belíssimo Diário de Edith Holden

Edith Holden - Fonte da imagem: www.babelio.com

O Diário  no Original inglês


O mesmo Diário em português - o meu

Como os meus amigos que por aqui passam já perceberam, eu  gosto muito de livros. Tenho muitos, mesmo muitos...que tratam os mais diversos temas.Para além, dos meus livros pessoais...tenho aqui em casa uma biblioteca que, segundo o Jorge diz, tem mais de três mil exemplares.

Claro que o livro mais precioso e importante que possuo, é a Bíblia Sagrada - a Palavra de Deus. É através dela que me aproximo do meu  Abba - Paizinho - Deus e Senhor  - a minha melhor porção nesta terra.

Hoje, porém quero falar-vos de um livro maravilhoso que me foi oferecido há muitos anos - talvêz uns vinte...que é um meus preferidos. Trata-se do livro na imagem acima. A Alegria de viver com a Natureza. Isto, na versão portuguesa.
É um Diário, inteiramente escrito á mão com grande esmero, inclui os seus poemas favoritos e os seus pensamentos e observações pessoais acerca dos fenómenos  naturais que teve ocasião de presenciar nas proximidades da sua casa  em Warwickshire, bem como  durante as suas viagens pela Inglaterra e pela Escócia. As maravilhosas e excelentes aguarelas   de aves, borboletas, abelhas e flores que encontramos em cada página constituem o reflexo fiel do seu profundo amor á natureza; têm  o sentido do pormenor de um naturalista e a sensibilidade de um artista.
Este livro único e encantador permaneceu ignorado durante setenta anos.
 
Para começar, escolhi para partilhar hoje com os amigos, um texto escrito por a artista no dia 22 de Setembro de 1906, tendo em conta que entre nós chegou o Outono.
 
SETEMBRO
 
Set.22. Havia lá (na Escócia) uns enormes castanheiros que, segundo se diz, foram plantados pelos monges, e umas nogueiras gigantescas, as maiores que já vi na vida. Também há um buxo  que, ao que parece,  foi plantado pela raínha Mary. A maior parte dos castanheiros eram frondosos e fortes e tinham uns lindíssimos troncos retorcidos. Tanto os castanheiros como as nogueiras estavam carregados de frutos. Os muros das ruínas do convento estavam cobertos de avenca.
Em muitas das gretas que apareciam no alto, entre as pedras,  pendiam as delicadas campânulas lilases das campaínhas. Ao atravessarmos as altas colinas que separam o vale do Teith da zona  de Menteith, passámos por várias turfeiras. As cores  de alguns musgos e de algumas plantas do lameiro eram muito vivas. As mais notáveis eram as das espigas com sementes dos hartécios cor-de-laranja. e alguns musgos de um verde incrívelmente pálido. Agora a urze está a tornar-se castanha e só  de vez em quando aparece algum pedacito côr-de-rosa.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A Tua Mão - Uma Parábola













Em volume, o teu coração
se assemelha a um punho fechado.
Vê o teu coração espelhado,
figurado na própria mão!

A mão poderás fechar,
Mão fechada é mão que nega,
que a tudo se prende e apega,
contraída, incapaz de soltar.

A mão poderás fechar.
Mão fechada é punho que ameaça,
que mãos estendidas rechaça,
mão que fere em vez de curar.

A tua mão poderás fechar.
Mão fechada é medo secreto,
é coração inquieto,
é consciência a arder e sangrar.

A mão poderás abrir.
Mão aberta é mão amiga
que dá, que apoia, que abriga,
é mão apressada a servir.

A mão poderás abrir.
Mão aberta jamais rejeita:
É coração que aceita,
que acolhe sem coagir.

A mão poderás abrir:
Pois a mão que o Cosmos encerra
aberta está sobre a terra,
a dar, e a distribuir.

Se de Deus a bendita mão
o seu coração revela:
Feliz serás, se por ela
guiares o teu coração!

No livro - A Prática da Esperança

Poemas e meditações para reflectir e orar
Autor: Lindolfo Weigartner

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Finlândia e Portugal - o Melhor e o Pior

Uma vista da Rua Augusta -  em Lisboa
Uma rua em Helsínquia - Finlândia

Nas minhas veias, corre, na mesma proporção, sangue Finlandês e sangue Português. Também, creio poder afirmar, com verdade, que aqueles donde provenho, aos quais estou ligada por fortes laços de afecto, estão espalhados  por estes dois países. Daí, poder afirmar, com convicção, que amo Portugal e amo a Finlândia. Claro que pelo facto de viver em Portugal desde os meus quatro anos, considero Portugal a minha Pátria amada e o país mais lindo do mundo. Só tenho pena que em muitos aspectos, que creio fundamentais, tais como a justiça social, a repartição da riqueza, a cultura do trabalho, as oportunidades iguais para todos os cidadãos, o nível de vida, a própria forma de "fazer politica" e, outros valores, que constatamos existiren na Finlândia, não estejam assim tão presentes e visíveis em Portugal.

O exemplo que se segue é prova do que acabo de afirmar:

Reader's Digest: Lisboa é a cidade menos honesta do mundo

Marta Marques Silva  
25/09/13 16:0

Se encontrasse uma carteira caída no chão devolvia-a? Num estudo recente sobre a honestidade, a Reader's  Digest chegou á conclusão que os habitantes de Helsínquia, Finlândia, são os mais honestos enquanto os lisboetas ocupam a última posição.


Para este estudo os investigadores deixavam cair no chão 12 carteiras no total, espalhadas por locais movimentados das cidades e ficavam depois a observar se os transeuntes ficavam com as carteiras ou as entregavam a alguma autoridade para que pudessem ser devolvidas aos seus donos. Cada carteira continha ainda cerca de 50 euros, fotografias de família e contactos.
Em Helsínquia 11 das 12 carteiras foram entregues, enquanto em Lisboa apenas uma foi devolvida - não por um lisboeta mas por um casal de holandeses que se encontrava de férias.
No total, das 192 carteiras apenas cerca de metade foi devolvida.

 O estudo conclui ainda que as condições económicas não têm impacto directo no facto de as pessoas ficarem com o dinheiro ou não. Mumbai, na Índia, alcançou a segunda posição, com os cidadãos a devolverem nove das 12 carteiras. Em comparação, apenas quatro foram entregues em Zurique, na Suíça

Conheça a lista completa das capitais:

1. Helsínquia, Finlândia: 11 de 12 carteiras
2. Mumbai, Índia: 9 de 12
3. Budapeste, Hungria: 8 de 12
4. Nova Iorque, EUA: 8 de 12
5. Moscovo, Rússia: 7 de 12
6. Amesterdão, Holanda: 7 de 12
7. Berlim, Alemanha: 6 de 12
8. Liubliana, Eslovénia: 6 de 12
9. Londres, Reino Unido: 5 de 12
1Varsóvia, Polónia: 5 de 12
11.Bucareste, Roménia: 4 de 12
12.Rio de Janeiro, Brasil: 4 de 12
13.Zurique, Suiça: 4 de 12
14.Praga, República Checa: 3 de 12
15.Madrid, Espanha: 2 de 12
16.Lisboa, Portugal: 1 de 12

( https://news.google.pt/


Uma nota positiva:


Cerca de duas horas depois de ter publicado este post, que li ao meu marido, ele foi surpreendido por alguém, um jovem estudante, que aqui perto de casa, caminhava num grupo que o meu marido ultrapassou. O tal estudante apreçou o passo e aproximando-se do meu marido, perguntou-lhe: "O senhor perdeu dinheiro"? O meu marido levou a mão ao bolso e verificou que não tinha uma nota de 10 euros que metera no bolso antes de sair de casa,. É que, quando caminhava, o molho das chaves começou a querer cair do bolso e ele, levando a mão ao bolso, não reparou que ao mexer nas chaves fez cair a nota de 10 Euros.
Disse ao jovem: "Sim, falta-me uma nota de dez Euros". O jovem estendendo a mão disse: "Aqui está ela, caiu do seu bolso e eu vi.
O meu marido agradeceu-lhe e louvou-o pela sua honestidade, e, ofertou-lhe um Euro para um gelado.

Gostei da atitude do jovem. Fiquei mais contente.

 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Ao que se chegou! O Galo poderá ser proibido de cantar!


O galo que poderá ser proibido da cantar,  com a sua dona.

Cresci "no meio da criação"(Coelhos, patos e galinhas). Sorrio, ao lembrar-me de como a minha irmã mais nova, a Teresinha, gostava tanto, mas tanto, das galinhas, dos galos e dos pintaínhos, que andava sempre com eles ao colo. E um pormenor interessante: Cada um de nós, os filhos, escolhia a sua galinha ou o seu galo, ou o seu frango, de estimação. Dávamos-lhe um nome e assim ficavam a chamar-se até ao fim.Quando eu penso que as últimas galinhas que tivemos morreram de velhas, de morte natural... entendo melhor como amávamos e tratávamos bem a "criação". A certa altura também tínhamos patos, e nós crianças, sabendo que eles apreciavam tanto a água, e estávamos londe do rio, um belo dia, decidimos meter os patos num saco de linhagem e com eles ás costas, levámo-los até á nossa horta, á beira do Rio Mourão. Ali, numa represa onde o meu pai "juntava" a água para regar, colocámo-los lá dentro onde eles alegremente mergulharam  e grasnaram de satisfação. O pior foi retirá-los de lá...o rio era fundo e eu não podia entrar lá dentro. Socorri-me de uma cana comprida e só assim os consegui retirar do seu banho. Um estava um pouquinho tonto, dado que a cana, ás tantas, atingiu-lhe a cabeça. Porém logo recuperou.
Recordo como era para mim agradável, por volta das seis da manhã, acordar com o cantar dos galos. Não só o meu galo, mas o galo de toda a gente, ao redor. Nessa altura, quase todos tinham "criação". Eu acordava, pensava que o dia estava prestes a chegar, virava-me para o outro lado e continuava a dormir. Foi assim anos e anos.

Lembro-me que quando vim morar para Mira-Sintra, há cerca de 40 anos, aqui bem perto da minha casa, muitas pessoas tinham pequenas hortas onde tinham a "sua criação", e assim, continuei a ter o despertar dos galos.
Recordo que alguns cantavam também por volta da meia-noite. Nunca porém por nunca ser, o cantar dos galos me incomodou; pelo contrário, alegrava-me.
Hoje, e desde há há bastante tempo, nunca mais acordei com o cantar do galo. Creio que a pouco e pouco as pessoas daqui da zona deixaram de ter "criação". Dá trabalho e é dispendioso, e por outro lado, as pessoas vivem económicamente melhor, e podem comprar os ovos, bem como a carne de frango.

Agora perguntarão os amigos: "Mas porque está ela a falar disto?
è, porque  ante-ontem, numa reportagem na televisão, feita na vila de Resende - Viseu, passaram a notícia de que um galo poderá  ser proibido de cantar, porque os vizinhos fizeram queixa á Guarda Nacional Republicana, dizendo que o galo perturbava o seu sono. E parece que já são várias as pessoas a aderir á queixa. A dona do bicho diz que tem "criação" há mais de dez anos e nunca ninguém se lembrou de fazer qualquer queixa,  e explicou que a "criação" faz parte da  sua economia doméstica.

Eu, sinceramente, fiquei  espantada. Ao que nós chegámos! Como eu gostaria de continuar a ouvir o cantar dos galos, por aqui onde moro! Sinto uma saudade imensa e uma falta muito grande!
Tenho cá um pressentimento, tendo em conta"a cultura actual", em que as crianças e os jovens crescem sem qualquer contacto com a natureza, não conhecendo nem sequer o nome de uma planta, como o feijoeiro, ou o tomateiro...mas em que passam hoas e horas diante da televisão a vêr programas que praticamente em nada os ajuda, ou então, de volta dos telemóveis, ou da consola a jogar jogos estranhos e nada pedagógicos... pressinto que os vizinhos vão ganhar a causa e o alegre e feliz galo vai ser silenciado e acabará num arroz de cabidela.
Tenho pena! mesmo muita pena!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Outono voltou.



Belíssimas folhas de Outono - Fonte da imagem: pixabay.com
Parece que foi ontem que o Outono se foi, e já o temos aí outra vez.
Gosto muito do Outono!É para mim, com a Primavera, uma "estação" linda, cheia de côr!

Poema de Outono

O outono já chegou - aos arrufos do vento as folhas num desmaio embalam-se pelo ar...- vão caindo... caindo... uma a uma, em desalento e uma a uma, lentamente, vão no chão pousar...

O céu perdeu o azul - vestiu-se de cinzento e envolveu na neblina a luz baça do luar...

- na alameda onde vou, de momento a momento, há um gemido de folha a cair e a expirar...

O arvoredo transpira as carícias dos ninhos, e o vento a cirandar na curva das estradas eleva o folhareu no espaço em redemoinhos...

Há um córrego a levar as folhas secas em bando...

- e à aragem que soluça entre as ramas curvadas, parece que o arvoredo em coro está chorando!...

(Jorge de Araújo)