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| Uma paisagem de Cabeceiras de Basto. Imagem da net. |
MEDITAÇÃO
Eu passo longas horas esquecido
No doce contemplação da natureza,
Tam cheia de caprichos, de beleza,
E quedo-me, assim, quase adormecido...
E vejo, em pensamentos, a grandeza
De tudo quanto Deus há construído:
- A Terra, o Céu, o Mar embravecido,
Um Mundo todo cheio de incerteza - .
O Bem e o Mal, a Sorte e a Desventura,
A Dôr, o Sofrimento e a Amargura,
Têm todos, nesta vida, o seu império...
Mas, tudo quanto vejo, é quási nada
Do mundo que Deus fez, - obra talhada
Em moldes todos cheios de mistério...
(António Ferreira de Sousa - no livro - FOGOS - FÁTUOS)
Nota:
Ontem, o Jorge, meu marido, entrou em casa com um velho e amarelecido livro , na mão, e disse-me:
"Olha, está aqui este livro de um poeta de Cabeceiras de Basto - terra do meu saudoso pai - Trouxe-o para apreciares e ver se queres publicar algum dos poemas."
Hoje, de manhã cedo, iniciei a sua leitura e gostei do que encontrei.
Não tenho conhecimentos técnicos para me pronunciar sobre o tipo de poesia aqui apresentada, mas ao folheá-lo, gostei...e daí ter decidido oferecer aos amigos que por aqui passam, este interessante poema.
No início do livro encontrei estas palavras do autor:
"Ao publicar «FOGOS FÁTUOS» não alimento a pretensão tôla de valorizar, com ele, a literatura portuguesa. Outro fim não tenho em vista que não seja o de prestar homenagem à memoria de pessoas muito queridas, já idas, dispersas no gyro dos tufões, testemunhar a minha simpatia a alguém a quem muito quero e a minha consideração a alguns amigos a quem dedico vários sonetos.
A critica - se o meu livro a merecer - vai adjectivar de piegas as produções que compilei.
Pouco importa. Senti-as; tanto basta.
Felizes são aqueles que não sentem...
Cabeceiras de Basto, Abril de 1943.
O Autor
Segunda nota:
Eu tinha na altura, 2 anos.