sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Do livro - Leomil - de António de Seves


O precioso livro - Fonte da imagem: olx.pt
"O dia passava indiferente, cada vez mais calmo e lindo. Já os rebanhos desciam, por entre as penhas e montes, p´ r´ás ervagens das ribeiras. No carreiro de Valongo, a Tereza do Granja - Nova regressava ao seu moínho, atráz do burro carregado. Roupa esquecida córava nas relvas da Fonte.Igreja. E um paquetito, num lameiro, de carapuça encarnada, gritando a um boi tresmalhado: - eh! Cabano!  Rais-te parta!... - alevantara  écos  brandos, que logo no azul esmoreceram, deixando por sobre os campos um socêgo ainda maior.
Tinham-se derretido as geadas. Os montes eram azuis, azul a  água  dos rios  -  e dum leve azul de seda todo o céu em calmaria. Os castanheiros novos, sem folhas, traçavam, a finos traços, palmas roxas nas distâncias. Verdejavam  os centeios, com um verde tenro e claro. Ao longe, nas  voltas da estrada, havia cores de romeiros E ao imenso silêncio de tudo, apenas o sol dominava, cada vez mais quente  e loiro, afagando a  flor das coisas, macio como penugens.»
(António de Seves - no livro - Leomil  -  adquirido num alfarrabista)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Confiando na Rocha Eterna - Pastor Samuel Quimputo



CONFIANDO NA ROCHA ETERNA

A crise financeira que abalou a economia mundial, afetando milhões de pessoas e famílias, para além de abalar a estabilidade do sistema bancário, trouxe à luz, entre outras coisas, a ganância que governa o coração humano que não ama Deus e que despreza o próximo.

Um dos aspetos que mais se destaca, sobretudo quando se acompanha a discussão de analistas e de peritos em economia, é a verdade de que um dos elementos mais determinantes (se não o mais determinante) para o equilíbrio do sistema financeiro é a confiança.
A maioria do comum dos mortais nutre a ideia de que o elemento mais importante é o dinheiro. Ora, as mentes mais brilhantes em matéria de economia insistem em dizer-nos que a confiança, esta sim, é o alicerce que sustenta todo o edifício do sistema.
É interessante notar que, em matéria de fé, a confiança acaba por assumir um papel relevante na relação entre Deus (o objeto da fé) e o homem (o sujeito da fé). Aliás, convém, nesta altura, afirmar que o próprio conceito bíblico de fé, implica a confiança em Deus.

A fé bíblica não se resume a um simples assentimento intelectual, ou à simples assunção da existência de Deus. Crer em Deus significa crer na sua existência, mas também, e sobretudo, confiar na sua bondade, misericórdia e graça. Quanto maior é a confiança depositada na pessoa e no carácter de Deus, mais profunda  é a qualidade da fé.

Neste   início   de   novo   ano,  convém-nos escutar as palavras proferidas por Isaías ao transmitir ao povo de Israel uma mensagem de um futuro de esperança.
Segundo o profeta evangélico da Antiga Aliança, Deus proporciona uma experiência de paz interior a todo aquele que mantém a sua mente concentrada nele. Esta disposição mental, segundo Isaías, resulta da confiança do crente no seu Criador e Senhor.
Depois de estabelecer a magnífica relação entre a disponibilidade mental e a paz (shalom), bem-estar, saúde, prosperidade, salvação) de Deus, que nasce da reconciliação estabelecida na cruz do Calvário, Isaías convida o povo (e a todos nós) a depositarmos uma inabalável confiança naquele que é a fonte da nossa estabilidade pessoal e espiritual.
A razão apresentada pelo profeta, na exortação que faz ao povo, reside no facto de Deus ser “uma rocha eterna”.  Há nesta afirmação uma ênfase que  pode passar despercebida. Literalmente, o texto diz: “Pois o Senhor, somente o Senhor, é a Rocha eterna”.
O princípio por detrás desta afirmação é que “a verdadeira segurança que traz estabilidade à vida, encontra a sua firmeza em Deus, e somente nele”.
Assim como a rocha é sólida e firme, transmitindo a sensação de estabilidade, assim também o nosso Deus é o refúgio seguro em quem encontramos a verdadeira paz e a inabalável segurança. Mais ainda, a segurança proporcionada por Deus é duradoura e eterna.
O desafio do profeta é que a nossa confiança em Deus seja “perpétua”, isto é, “permanentemente colocada nele”.

Que ao longo deste novo ano, e perante as contingências e as vicissitudes da vida, a nossa fé encontre em Deus a sua mais firme âncora. Que a Sua paz, que vai além do que somos capazes de entender, domine os nossos corações, proporcionando-nos a tranquilidade necessária, a fim de gerirmos da melhor maneira, com sabedoria e discernimento, os desafios com que nos depararmos ao longo da jornada.
 Soli Deo Gloria! 
Pr. Samuel Quimputo
jan 2016
boletim 168
 Igreja Evangélica Baptista de Sete Rios - Lisboa

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Livro de Horas - Um poema de Miguel Torga

O  grande  Poeta e Escritor português  Miguel Torga

Livro de Horas

Aqui, diante de mim,
Eu, pecador, me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão ao leme da nau
Nesta deriva em que vou.

Me confesso
Possesso 
De virtudes teologais,
Que são três,
E dos pecados mortais,
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.

Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas,
E o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
Do tal Céu que Deus governa;
De ser um monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!

Miguel Torga - Em Poesia Completa I

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Eduardo Louremço vence Prémio Vasco Graça Moura - Cidadania Cultural

 O Ensaísta Eduardo Lourenço

“Com a minha idade já estou habituado a estas coisas, mas é sempre surpreendente, até porque há muita gente no país que mereceria este prémio tanto ou mais do que eu”, disse o ensaísta ao PÚBLICO

O Prémio Vasco Graça Moura-Cidadania Cultural foi atribuído, por unanimidade, ao ensaísta Eduardo Lourenço, de 92 anos, anunciou este domingo a Estoril-Sol, que instituiu o galardão, em parceria com a editora Babel.

O prémio, que é atribuído pela primeira vez, tem periodicidade anual e o valor pecuniário de 40 mil euros, tendo sido criado em homenagem à memória do poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo, cronista e tradutor Vasco Graça Moura, que morreu aos 72 anos, no dia 27 de Abril de 2014, e desempenhava as funções de presidente do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. É reservado a uma personalidade de nacionalidade portuguesa, que se tenha notabilizado por um conjunto de obras ou por uma obra original e inovadora de excepcional valia para a cidadania cultural do país.

O júri do galardão foi presidido por Guilherme d'Oliveira Martins, do Centro Nacional de Cultura, e, na acta, a que a Lusa teve acesso, lê-se que depois de apreciados os nomes das várias candidaturas propostas, Eduardo Lourenço recolheu "a unanimidade", em função do seu "percurso intelectual", que "corresponde inteiramente aos objectivos definidos aquando da criação deste prémio".

"Trata-se de uma personalidade multifacetada que se singulariza pela coerência entre um pensamento independente e aberto e uma permanente atenção à sociedade portuguesa, à sua cultura, numa perspectiva universalista, avultando a reflexão sobre uma Europa aberta ao mundo e nunca fechada numa qualquer fortaleza encerrada no egoísmo e no preconceito", lê-se no mesmo documento.


"Em tempos de incerteza trata-se de uma voz de esperança, que apela ao diálogo e à paz, com salvaguarda da liberdade de consciência e do sentido crítico. A sua heterodoxia mantém-se viva e actual em nome do compromisso cívico com a liberdade e a responsabilidade solidária", afirma o júri em acta. 

"Acresce que Vasco Graça Moura manifestou em diversas circunstâncias expressamente a sua admiração pela personalidade de Eduardo Lourenço como intelectual e cidadão, em especial quando foi o principal promotor da candidatura vencedora do ensaísta ao Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), a propósito da publicação de Nós e a Europa ou as duas razões."

"O reconhecimento de uma personalidade largamente consagrada constitui assim, e também, uma homenagem a Vasco Graça Moura, que tanto apreciava a obra e a pessoa de Eduardo Lourenço", remata o júri composto pela catedrática de Literatura Maria Alzira Seixo, pelo presidente da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, pelo ensaísta Manuel Frias Martins, por Maria Carlos Loureiro, em representação da Direção-geral do Livro, Bibliotecas e Arquivos, pelo escritor Liberto Cruz e, ainda, pelo professor José Carlos Seabra Pereira, em representação da Babel, e por Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, em representação da Estoril Sol.

Ao PÚBLICO, afirmando-se “muito honrado” com a atribuição do prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, Eduardo Lourenço acrescenta que a distinção o sensibilizou especialmente pela qualidade do júri, presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, e pelo facto de o prémio ter o nome de Vasco Graça Moura, que considerou “uma pessoa realmente fora do comum, na sua geração e não só”.

“Com  a minha idade já estou habituado a estas coisas, mas é sempre surpreendente, até porque há muita gente no país que mereceria este prémio tanto ou mais do que eu”, diz Lourenço, que vê nas novas gerações “um dinamismo que não existia” na sua. “Gente que andou lá por fora, ou que ainda lá está, e não falo apenas do domínio literário, mas também das artes, do bailado, ou dos muitos pequenos Damásios que hoje temos”.

O ensaísta sublinha ainda o caso particular do cinema, onde “há uma geração com uma grande coerência e uma visibilidade espantosa lá fora, que nunca tinha existido”. E conclui: “Mas se querem premiar uma pessoa mais velha, está bem”.

Tal como esses portugueses mais novos que andaram ou andam pelo mundo, também o autor de O Labirinto da Saudade passou boa parte da sua vida no estrangeiro, mas em certo sentido nunca saiu de Portugal, e o país que deixou fisicamente para trás foi sempre um tema obsessivamente presente na sua obra. E esta nova geração de criadores, cientistas, académicos, que já cresceu num mundo globalizado, manterá esse mesmo enraizamento quando sai do país em busca de melhores oportunidades? Eduardo Lourenço acha que sim, e di-lo numa dessas fulminantes sínteses paradoxais tão constitutivas do seu pensamento: “Levam o país com elas, porque este país é muito pequeno para a gente o poder abandonar”.

  ( http://www.publico.pt)

Nota pessoal:

É, para mim,  motivo de grande regozijo,  o facto  de alguém, em boa hora, ter instituído este importante prémio que nos trás à memória um grande português cuja vida foi uma marca indelével de cidadania, de sabedoria e conhecimento, e ainda de  um legado escrito - incluindo Poesia,de uma enorme beleza e significado, que nos honra pelo exemplo e postura. 
O Dr. Vasco Graça Moura partiu cedo, aos 72 anos, quando ainda tinha tanto para nos dar.
Chorei a sua morte e homenageei-o aqui, neste humilde espaço, onde publiquei um dos seus mais belos poemas - PARA UMA CANÇÃO DE EMBALAR. Aqui

Quanto ao Grande Português homenageado - o Dr. Eduardo Lourenço  - quem sou eu para sobre ele falar?
Quando, "raramente"...lhe dão oportunidade de partilhar connosco as suas riquíssimas ideias, o seu sentir,  o seu modo tão particular de olhar a vida e o mundo, não perco uma das suas palavras.
Parabéns! Muitos Parabéns! Dr. Eduardo Lourenço.
Desejo  muito sinceramente, que o Deus de amor  lhe conceda ainda muitos mais anos de vida na nossa companhia.
Ainda, um apelo aos portugueses que isto lerem: Aproveitem bem todas as oportunidades de ver e ouvir este Homem que tanto tem para partilhar connosco e ensinar - nos  coisas admiráveis.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

E Janeiro chegou com chuva, frio e vento

Um belíssimo Pintarroxo. Fonte da imagem: http://artededebicar.blogspot.pt
JANEIRO

O seu nome deriva do deus romano Janus, que se representava com duas faces que olhavam em direcções opostas, uma para o passado e outra para o futuro do novo ano.
  
     
Fonte da imagem:blog.libero.it
 Dias especiais

1 de Janeiro, dia de Ano Novo
6 de Janeiro, dia de Reis, Epifania

Adágios

"Se cresce erva em Janeiro
mais crescerá o ano inteiro"

"Janeiro frio e molhado,
enche a tulha e farta o gado"

"Sol em Janeiro
sempre anda detrás do outeiro"
                       
 Florinhas da neve na Ilha de Uto - Finlândia
                  Um   poema 

Por isso, todas as estações serão agradáveis para ti,
          quer o Verão cubra toda a terra
         de verdura quer o pintarroxo cante
        entre os flocos de neve, no ramo  nu
       da macieira musgosa, enquanto uma chaminé
      fumega ao sol. Quer as gotas de orvalho caiam,
        escutadas apenas pelo êxtase da ventania
            ou quando o secreto labor da geada
           as suspende como silenciosos pingentes,
          brilhando tranquilamente no luar imóvel.

                   (S. T. Coleridge)

(No livro - A Alegria de Viver com a Natureza  - de Edith Holden )

Alguns dados sobre S.T. Coleridge

Samuel Taylor Coleridge, comumente designado por S. T. Coleridge, foi um poeta, crítico e ensaista inglês, considerado, ao lado de seu colega William Wordsworth, um dos fundadores do romantismo na Inglaterra. (Wikipédia)

domingo, 3 de janeiro de 2016

Porque hoje é Domingo (371)


«OH! se fendesses os céus, e descesses, e  os montes se escoassem de diante da tua face.
Como o fogo abrasador de fundição, fogo que faz ferver as águas, para fazeres notório o teu nome aos teus adversários, e assim as nações temessem a tua presença!
Quando fazias coisas terríveis, que nunca esperávamos, descias  e os montes se  escoavam diante da tua face.
Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhas para aquele que nele espera.
Saíste ao encontro daquele que se alegrava e praticava  justiça e dos que se lembram de ti nos seus caminhos.
 Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós  barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra da tuas mãos».

  ( Livro do profeta Isaías  64:1 a 5b; e 8)

sábado, 2 de janeiro de 2016

Uma sugestão da Sandrinha para nós


«Sabemos, que os planos do Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz é  totalmente perfeito para cada um de nós.
Ele se importa  com as nossas vidas, com todos os nossos sonhos e vontades  e  até com os problemas que vamos  enfrentar em 2016.
Jesus, quer nos ajudar a tomar as decisões certas, nos   fortalecer diante das dificuldades  e  quer dirigir nossos passos em segurança.
Que 2016, seja uma nova oportunidade de recomeçar  e  que eu e você estejamos dispostos a depender do Senhor em tudo e em todos os momentos de nossa vida.»



 (No blogue da minha querida amiga Sandrinha -  http://aotoquedoamor.blogspot.pt/)
Nota:
Achei tão oportuno e tão valioso, que trouxe para repartir com os amigos aqui.