sexta-feira, 30 de junho de 2017

Vidas Perfumadas - Pastor Samuel Kimputo


Amigos:

Acabei de receber este importante e belo texto - "perfumado" -   da autoria do amado pastor Samuel Kimputo, da Igreja E. Bap. de Sete-Rios em Lisboa. Confesso, que  logo senti o desejo de o partilhar aqui convosco.

VIDAS PERFUMADAS

«Sair das grandes cidades para os campos, em plena primavera, é experimentar uma das sensações mais extraordinárias de variedade de aromas exalados pelas flores que enchem a atmosfera campestre com o seu perfume e cheiro agradável.
Depois de apresentar um quadro pesado e triste, relacionado com a atitude menos cordial da igreja em Corinto, e de manifestar a sua inquietação e apreensão pela ausência de Tito e pelo desconhecimento do seu paradeiro, Paulo passa, de forma brusca e repentina, para uma atitude de alegria e de gratidão a Deus, apesar da realidade menos animadora da vida dos crentes daquela igreja.
O apóstolo dá graças a Deus, o Pai, que, por meio do grande comandante -Jesus Cristo-, conduz Paulo e os seus companheiros (e a todos os seus servos) a uma vida de triunfo.

Apropriando-se da imagem de uma marcha (ou procissão) militar que ocorria quando o exército romano entrava em Roma, depois de uma conquista bélica, conduzindo, acorrentados, os inimigos derrotados e capturados vivos e cujo intenso cheiro de ervas aromáticas e de incenso se espalhava pelo recinto, exalando a sua fragrância típica, preanunciando o reconhecimento da bravura dos vencedores e, ao mesmo tempo, a morte certa dos vencidos (a não ser que o imperador demonstrasse misericórdia,  poupando-os da pena máxima), Paulo, considerando-se um conquistado por Cristo e um servo do grande general, afirma que, à medida que ele e todos os crentes, comprados pelo sangue de Jesus, vão vivendo e anunciando a mensagem do evangelho, vão também, e ao mesmo tempo, espalhando o bom cheiro de Cristo.
É mister notar o facto de que a fonte  donde todo o perfume se exala é Cristo. A vida, a experiência e o testemunho dos crentes, conquistados pelo poder redentor de Jesus, devem refletir o carácter e a beleza do Senhor, de quem receberam poder e graça suficientes, que os capacita a fazer Cristo conhecido num mundo carente de orientação e de sentido, e  que desconhece o verdadeiro propósito da sua existência.
Segundo Paulo, o cheiro de Cristo deve ser exalado “em todo o lugar”, o que significa que onde quer que estejam os crentes e quaisquer que sejam as circunstâncias em que se encontrem, é necessário que Cristo seja visto através da vida daqueles que professam conhecê-lo e partilham a  sua intimidade com Ele.
Que neste período de férias, em que muitos estarão  fora do seu “habitat natural”, as nossas vidas e o nosso testemunho demonstrem a graça e a beleza de Cristo. Que as palavras que saírem da nossa boca proporcionem um profundo alívio àqueles que nos ouvem e connosco partilham as suas inseguranças.
 
 Que cada um de nós seja usado como um vaso de bênçãos e um depósito da fragrância de Cristo, pronto a exalar o agradável aroma da santidade e do amor que só podem ser encontrados naquele que é, por excelência, a fonte primária de todo o bem. Soli Deo Gloria! »
  (Pastor Samuel Kimputo -  Igr. Ev. Bap. de Sete Rios - Lisboa)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Ainda, as Mães


Partiu  o pão em dois pedaços  e  deu-os aos filhos, que comeram com avidez.

«Ela não ficou com nada para ela»,
Resmungou o sargento.

«Porque não tem fome», disse o soldado.

«Porque é Mãe», disse o sargento. 

 (Victor Hugo (1802-1885) 

No livro - Palavras de Amor sobre as Mães

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Colhe quem semeia (2) - Pastor João António Marques


«Que seria de nós se a agricultura começasse a declinar, se as terras fossem abandonadas e deixassem de produzir, entregues ás ervas daninhas? De que nos valeriam as lindas habitações e os palácios? De que valeriam os automóveis  e os aviões? De que valeriam todos os produtos que saem das fábricas? De que valeria o ouro? De que valeriam as festas? Tudo seria inútil, sem os produtos indispensáveis à alimentação. Basta que haja anos agrícolas maus e  os géneros escasseiem para logo se verificarem graves  perturbações em todos os sectores da vida. Impõe-se,  portanto que os homens se dediquem à agricultura, para que haja alimentos. Não todos,  naturalmente - não seria necessário nem conveniente. Mas alguns têm de  dedicar-se ás tarefas agrícolas, para que  as terras produzam e todos tenham pão para comer.
Figuradamente falando, também há necessidade de colher:simpatia,  carinho, amor,  compreensão, misericórdia, perdão, enfim, colher tudo o que é bom e agradável na vida. É colhendo que viveremos. Aquele que nunca ceifa, que nunca recolhe nos  celeiros  do seu coração estes bens preciosos, esse não pode viver, estiola e, a pouco e pouco, morre espiritualmente, ainda que o seu corpo continue a viver..
Na vida cristã, mais do que em qualquer outro aspecto, temos absoluta necessidade  de colher, constantemente, os benefícios do Senhor. Mas para  isso é preciso,  como em tudo, semear. Como colheríamos sem ter semeado? Temos realmente de semear, se quisermos gozar as alegrias espirituais, ter paz na consciência, conhecer um coração tranquilo, em suma,  possuir aquela vida abundante de que falava Jesus Cristo. (João 10:10)»

(Pastor João António Marques - no livro - Olhai para os Lirios do Campo)

terça-feira, 27 de junho de 2017

Há crianças que nos dão grandes lições!


Em relação ao triste acontecimento, que  nos últimos dias, encheu de profunda tristeza os nossos corações,  ouvi na comunicação social (T.V.), duas notícias quase iguais, que deveras me comoveram, e mostraram, como as crianças nos  podem dar grandes lições de generosidade.

 Logo nos primeiros dias do grave  incêndio,  uma mãe relatou o seguinte:

O seu filho, um rapazinho de 12 anos, chegou junto dela com um saco de roupa que retirou da sua gaveta, e disse para a  mãe: "Olha mãe, eu só preciso de dois pares de calças, podes levar esta roupa para alguém, vitima do incêndio, que  precise dela."

E a mãe foi entregar a oferta do menino.

Ontem à tarde, outra mãe,  contou que  o filho de 11 anos,  sabendo que ela iria entregar algumas ajudas aos sinistrados,  juntou várias peças do seu vestuário e  escreveu uma carta, dizendo o seguinte: "Espero que  tenhas 11 anos como eu, e que estas roupas  te fiquem bem."

Lindo, não?

Como é bom, que as nossas crianças cresçam com este sentimento de partilha...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

ITINERÁRIO - Um poema de Sebastião da Gama

Um caminho junto à Ribeira das Jardas - Mira-Sintra.

ITINERÁRIO

Meu caminho é por mim fora,
té chegar ao fim de mim
e encontrar-me com Deus...

Mas lá no fim
eu vou sentir-me tão outro,
tão igual
ao Senhor Deus que ali mora,
que hei-de ficar convencido
de que afinal
só Tu, Senhor!, lá estás
e que eu  fiquei para trás,
de cansado ou de perdido
no meu caminho comprido.

É só por mim é que vou
e as bermas do meu caminho
são as passadas que dou.

  (Sebastião da Gama - no livro - Serra - Mãe)

domingo, 25 de junho de 2017

Porque hoje é Domingo (445)

            Púlpito da Casa de Oração de Morelena - Sintra.
«Ensina-me Senhor  o caminho dos  teus estatutos, e guardá-lo -ei até ao fim.
Dá-me entendimento e guardarei a tua lei, e observá-la- ei de todo o coração.
Faz-me andar na vereda  dos teus  mandamentos, porque nela tenho prazer.
Inclina o meu coração aos teus testemunhos, e não à cobiça.
Desvia os meus olhos de contemplarem a vaidade, e vivifica-me no teu caminho.
Confirma a tua palavra ao teu servo, que é dedicado ao teu temor.
Desvia de mim o opróbrio que temo, pois os teus juízos são bons.
Eis que tenho desejado os teus preceitos; vivifica.me na tua justiça.»
         (Livro dos Salmos cap. 119: 33 a 40)

sábado, 24 de junho de 2017

É muito duro estar a cavar a cova para pessoas que eu conhecia - diz Maria Joaquina

Maria Joaquina   abrindo as covas para  os que morreram queimados.
Desculpem, amigos,  mas creio que ainda é tempo de "falar daquilo de que o coração está cheio".
Não podemos esconder que estamos profundamente tristes, e solidários com os que sofrem.
Partilho convosco o que li ontem no Observador

«Cinco homens e  mulheres preparam o cemitério onde serão sepultadas perto de 40 pessoas. Porque é preciso ajudar o único coveiro da terra, fechar o ciclo e enterrar os mortos.

O cemitério de Vila Facaia, pequena aldeia a oeste da vila de Pedrógão Grande, é o único pedaço de branco numa área de muitos quilómetros quadrados. À volta, tudo ficou negro depois da passagem do incêndio, que devastou particularmente aquela freguesia: morreram perto de 40 pessoas naturais dali. Durante todo o dia de terça-feira, cinco funcionários da Junta de Freguesia, comandados pelo coveiro José Francisco, conhecido como Chico, iam cavando inúmeras sepulturas, para as dezenas de funerais que se vão suceder nos próximos dias. “Nunca tive de abrir tantas covas de uma vez”, desabafa José Francisco, 57 anos, que contou com a ajuda do coveiro da freguesia vizinha da Graça para a empreitada.

 À entrada do cemitério, local isolado no meio da floresta, a 500 metros da pequena aldeia, uma carrinha da Proteção Civil denuncia o aparato que ali se vive. Ao fim da tarde, José Francisco oferece bebidas frescas a quem esteve a trabalhar durante o dia todo. Às 18h30 realizam-se os dois primeiros funerais, mas neste primeiro dia foram abertas mais sepulturas do que apenas essas duas. “Só na nossa freguesia morreram à volta de 40 pessoas, mas não quer dizer que venham todas para aqui, porque há uns que vão para fora. Estamos a abrir covas porque, quando os corpos forem libertados, vai ser tudo muito rápido. Estamos a abrir covas para ficar à espera”, explica José Francisco, de boné na cabeça e copo na mão, sentado num murete à sombra da única árvore que ali permite evitar o calor.

 Num dia normal, entrar no cemitério significa entrar num local de silêncio rodeado de floresta. Mas, neste dia, passar por aquele portão e atravessar o estreito corredor empedrado leva-nos ao único sítio movimentado da aldeia. Os funcionários da junta de freguesia vão trabalhando um pouco por toda a área do cemitério — muitas das campas têm de ser levantadas, porque grande parte das vítimas vão ser enterradas junto de familiares.

 Do lado direito do corredor, Maria Joaquina, 49 anos, trabalha apressada sob um sol escaldante — a cova que está a abrir tem de ficar pronta a tempo do funeral desta tarde, agendado para as 18h30. Baixinha, de boné na cabeça e vestindo uma t-shirt transpirada e suja de terra, com o logótipo da junta, vai falando dos que morreram como se ainda cá estivessem — talvez para se lembrar deles, ou talvez para não se deixar ir abaixo. “Além vai ser marido e mulher. E a nora e o filho também, mas esses têm de ficar ao lado, porque não há espaço para todos ali”, conta, com a pá na mão. “Ó João Paulo, tenho que tirar esta terra daqui agora, não é?”, pergunta ao coveiro vizinho, que vai ajudando a orientar os funcionários da Junta de Freguesia, muitos deles pela primeira vez a fazer um trabalho daqueles.

 Maria conhecia todos os que morreram, mas nem isso lhe tira o afinco com que vai preparando o local onde vão ser sepultados os seus amigos. Não chora. Não é resignação ou derrotismo. É vontade de fechar um ciclo e de contribuir para um funeral digno para os que estimava. “O que é que a gente há de fazer? Não podemos deixar de fazer isto, temos de fazer alguma coisa”, diz, enquanto vai contando o trabalho feito. “Já temos uma, duas, três ali, quatro, cinco. Isto agora é abrir covas.”»

 (Observador  - 23/06/2017)