sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Do belíssimo Diário de Edith Holden

O tordo comum

"Não pares de cantar, melodioso tordo, sobre o ramo nu.
Não pares de cantar, melodiosa ave, pois escuto a tua voz,
   e o velho Inverno, já a meio do seu reinado,
   descontrai a fronte, ouvindo as tuas suaves notas.

(Robert Burns)
No livro - A Alegria de vver com a Natureza - De Edith Holden)

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Lembrando a autora da letra da Canção ALGARVE

A Dona Susete partiu,  mas as suas  rosas como que esperam por ela.
A Dona Susete era uma linda senhora da minha aldeia.
Encontrava-a muitas vezes pelos caminhos; sempre conversávamos um pouco e sorríamos uma para  a outra,  num sorriso sincero.
Partiu  há alguns anos e deixou muitas saudades.
Fez coisas bonitas que ainda perduram, como a letra desta canção sobre o Algarve, que o saudoso maestro Sr. Manuel da Música   "musicou".
 
    ALGARVE

            I
Algarve assim tão branquinho
Vejo em ti tanta beleza,
És um lindo torrãozinho
Desta nação  portuguesa;

Tuas praias, coisa linda,
Teu clima é bem de sonho,
Tens graça que nunca finda,
Tens graça que nunca finda:
Ó meu Algarve risonho

       Refrão
Algarve
Tu tens figueiras,
Tens amendoeiras,
Tu tens muito mais
Que as alfarrobeiras;
Algarve
Tens um sol tão quente
Que nos dá calor
E que aquece a gente
E nos dá mais cor!...

          II
 Tens aldeias tão branquinhas,
Que são mesmo de encantar,
Lembram as alvas pombinhas
No espaço a esvoaçar;

Tuas frondosas figueiras
Com seus frutos tão docinhos
E as lindas amendoeiras,
A enfeitar os teus caminhos!

          III
Ao turista que aí passa
Tens o condão de encantar,
Fica preso à tua graça
Por isso tem de voltar;

Lembra-te com amizade
Quando chega à sua terra,
Volta  p ´ra matar saudade,
Volta p ´ra matar saudade
Que o seu coração encerra!...

No livro - VIVER A CANTAR
(Canções do Grupo Coral de Maceira)
         4 de Dezembro de 2005

  Nota Pessoal

Se algum leitor tiver interessado na música eu posso enviar.             

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Um poema muito belo de Júlio Dinis

 Monumento a Júlio Dinis, no Porto. - Fonte: https://pt.wikipedia.org/.

Ontem, a chuva  caiu abundantemente em Mira - Sintra. Sendo Domingo, Dia do Senhor- conforme aprendi com os meus saudosos pais -  não é dia de "fazer muitas coisas"...apenas as estritamente necessárias. Sendo assim procurei descansar e repousar um pouco, no cadeirão, oferecido pelo filho Zé, para esse fim. Antes, procurei três livros, -livros  não faltam cá em cssa - então foi fácil encontrar assuntos do meu interesse:  De Almeida Garrett -  Oitavo livro da Obras Completas De Júlio Dinis - Serões da Província -  uma edição de 1948 e, ainda. com um tema bem diferente...Spurgeon - THE EARLY YEARS -  Por sinal, um livro encantador..
       Foi um tempo precioso e  muito proveitoso!
       Soube-me muito bem!
Dos três, o último que me passou por as mãos, foi Serões da Província de Júlio Dinis.

Ali, na página 320, encontrei um poema tocantemente belo e singelo!
   
       Hoje, relembrando o momento, decidi partilhá-lo com os bons amigos que têm a gentileza de por aqui passar.

 Ei-lo:

Fugi andorinhas; em mais longas plagas
Buscai outras praias, florestas e céu.
Que é triste o bramido que soltam as vagas.
E, um vento presago nos bosques gemeu.

Fugi, namoradas das flores e estrelas,
Olhai: estes campos sem flores estão,
E cedo os espaços, à voz voz das procelas,
Sinistros, cerrados, sem luz ficarão.

Fugi, apressai-vos,  alados viajantes,
Em bandos ligeiros os mares  cruzai.
Por outros países, por selvas distantes,
Mais flores e aromas,  mais luz procurai.

Deixai estes montes de neves c´roados,
As selvas despidas, e as follhas sem cor,
As grossas torrentes e os troncos quebrados
E os vales cobertos de denso vapor.

E quando mais tarde, na verde campina
As rosas voltarem com viço a  florir.
E as serras despidas  da intensa neblina,
Virentes, formosas se virem surgir;

E quando deslizem na praia arenosa
Mais lentas, mais brandas, as vagas do mar,
e das larangeiras de copa frondosa
Caírem as flores no chão do pomar;

E quando fugirem, informes, pesadas,
As nuvens sombrias que se erguem do sul,
Correndo dispersas e em flocos rasgadas
Nos plainos imensos  de um límpido azul:

Voltai, que de novo serão florescentes
As selvas, os prados, os montes, os vergéis;
Quietas as brisas, as águas dormentes
Nos lagos tranquilos de novo vereis.

Se eu, que vos sigo com vistas saudosas
Ao vosso desterro, dos mares além,
Já quando no prado brotarem as rosas,
Talvez não reviva co´as rosas também.

Ai, não, não revivo, que o vento do outono,
Gemendo angustiado,  nas brenhas do val,
Convida-me ao leito do plácido sono
E as nénias ento do meu funeral.

Eu morro! Nas chamas do sol que declina
Bem sinto o preságio de um próximo fim.
Se um dia voltardes à nossa colina,
Ó doces amigas! Lembrai-vos de mim;

Daquela que triste, vagando no olmedo
O adeus da partida vos veio dizer.
Quem sabe das campas o oculto segredo?
Talvez vossos cantos eu possa entender.

Talvez que, ao ouvir-vos  a queixa sentida
Quebrando das noites a triste mudez;
A sombra dos cedros da escura avenida
Acorde, a escutar-vos  ainda uma vez.

(Júlio Dinis - no livro - Serões da Província)

domingo, 25 de novembro de 2018

Porque hoje é Domingo (513)

A Palavra Sagrada exposta na Casa de Oração da Igr.baptista de Morelena -  Sintra.

Agora vou para Jerusalém, obedecendo ao Espírito Santo, sem saber o que lá me vai acontecer. Sei apenas que o Espírito Santo me tem avisado, em todas as cidades onde vou, que me esperam prisões e dificuldades. Mas para mim a minha vida não tem valor. O que interessa é que eu chegue ao fim da carreira e cumpra o ministério que o Senhor Jesus me  deu, de dar testemunho da graça de Deus.
E agora sei que nenhum de vós,  entre os quais andei a pregar o reino de Deus, me voltará a ver...

... E agora entrego-vos à protecção de Deus e à  palavra da sua graça, palavra que tem poder para vos edificar e para vos dar a herança entre todos os santificados. Nunca cobicei de ninguém nem a prata nem o ouro nem o vestuário. Pelo contrário, sabem muito bem que trabalhei com as minhas próprias mãos para conseguir tudo aquilo que e eu e os meus companheiros precisávamos. Mostrei-vos em tudo que é trabalhando assim que podemos ajudar os necessitados e recordar estas palavras do Senhor Jesus: "É mais feliz quem dá do que quem recebe,"
   Quando Paulo acabou  de dizer isto, ajoelhou-se com todos os irmãos  e orou. Todos se puseram a chorar, abraçando e beijando Paulo. Eles estavam muito tristes por lhes ter dito que nunca mais o veriam. E acompanharam-no até ao navio.
     Livro dos Actos dos Apóstolos cap-20:22 a 25; 32 a 38)
               Na Bíblia para Todos
    

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Novembro, Mês das Castanhas



As castanhas no ouriço - Fonte da imagem: http://www.tudosobreplantas.net/332-castanheiro-castanhas/Adicionar legenda

Novembro,  Mês das Castanhas

«Mas o fruto dos frutos, o único que ao mesmo tempo alimenta e simboliza, cai de umas árvores altas, imensas, centenárias, que puras como vestais parecem encarnar a virgindade da própria paisagem. Só em Novembro as agita uma inquietação funda, dolorosa,  que as faz lançar ao chão lágrimas que são ouriços. Abrindo-as, essas lágrimas eriçadas de espinhos deixam ver numa cama fofa a maravilha singular de que falo, tão desafectada que até no próprio nome é doce e modesta - a castanha.»
     (Miguel Torga -  poeta e escritor português)
No almanaque da terra - Circulo de Leitores

Nota pessoal:

Todos os anos, nesta altura, ao olhar as castanhas, recordo o souto de castanheiros que o meu avô Serafim tinha em Vilela - Cabeceiras de Basto. E recordo o carinho com que ele retirava as castanhas dos ouriços para me dar, a mim, pequenina, com 4 ou cinco anos.

Ainda,  há umas duas semanas, quando a minha vizinha  do lado, uma excelente pessoa que muito estimo,  e que. é natural do Gerês, terra da boa castanha, teve a amabilidade de repartir comigo, castanhas  do Gerês, que tinha acabado de receber de oferta da sobrinha que a visitara,  não pude  deixar de me emocionar...pois trouxeram-me à memória, mais uma vez, as castanhas do "souto" do meu avô Serafim.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

DEIXA - Um poema de João Apolinário

O poeta português João Apolinário. Fonte da imagem: http://revistamododeusar.blogspot.com/

 DEIXA

Meus filhos olhem  quando eu morrer
que leve seja a vossa mágoa de pensar
naquilo que de mim sobrou para lhes dar
que o dar-me inteiro foi todo o meu viver

Nada que eu fiz além de vos merecer
(se  vos mereci de tanto vos amar)
vale a palavra última de chorar
a saudade sem - fim de vos perder

Perdido estou  eu  sei  neste vazio
que deixo preenchido em vós os dois
 - a memória do meu sangue dilatado

Que a minha pobre vida seja o fio
da voz longínqua que virá depois
cantar o vosso pai imaginado

  (João Apolinário - no livro - O POETA DESCALÇO)

Nota:
João Apolinário nasceu em Sintra no dia 18 de Janeiro de 1924 e faleceu em 1988.

domingo, 18 de novembro de 2018

Porque hoje é Domingo (512)


Disse porém, Rute:  não me instes para que te deixe, e me afaste de ao pé de ti;  porque aonde quer que tu fores, irei  eu, e onde quer que pousares, à noite, alí pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;
   Onde quer que morreres, morrerei eu, e ali serei sepultada;  me faça assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa, que não seja a morte, me separar de ti.
   Vendo  ela, pois, que de todo estava resolvida para ir com ela, deixou de lhe falar nisso.
   Assim, pois, foram  ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noémi?
   Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noémi; chamai-me Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo.- Poderoso.
  Cheia parti, porém vazia  o Senhor me fez  tornar; por que,  pois,  me chamareis  Noémi? pois o Senhor testifica contra mim, e o Todo - Poderoso me tem afligido tanto.
   Assim Noémi voltou, e com ela Rute a moabita, sua nora, que voltava dos campos de Moab;  e chegaram a Belém no princípio da sega  das cevadas.
          
        (Rute cap.5:16 a 22)