segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Uma espera de dois mil anos - Um poema de Myrtes Mathias


Uma espera de dois mil anos

Não sei por onde tens andado,
o que tens feito,
como tens gasto o teu tempo,
teus bens, teus dons.
Talvez já tenhas ficado muito tempo,
em algum lugar, à espera de alguém,
e bem pode ser que te tenha decepcionado
em muitos encontros
pelos caminhos da vida.

Uma coisa sei e esta é que importa:
já lá vão dois mil anos
que Alguém te espera,
as mãos estendidas
num gesto de convite e entrega.
Podes chegar até ele
como fizeram os pastores
  -   para adorá-lo.
Como a pecadora junto ao poço,
deixando o vaso,
para anunciar que ele havia chegado.
Como Pedro, na pátria de Tiberíades,
para uma declaração de amor.
Como Paulo na estrada de Damasco:
   -   Que queres que eu faça, Senhor?

Mas receio que,
com tua indiferença e incredulidade,
estejas comparecendo ao encontro
como os soldados de Pilatos:
Para o prender e o crucificar.
Mesmo que esta seja a tua atitude,
ele permanece fiel,
como o tem sido através da eternidade.
O que eu não sei,
nem tu sabes,
é se passarás por ele outra vez;
se esta não é,
por tua escolhe e culpa,
a  última oportunidade  de um encontro
com este Deus que se fez homem,
para morrer na cruz,
porque te amou desde o princípio,
porque queria encontrar-se contigo,
hoje, aqui,
antes que a morte te bata à porta,
e tenhas que comparecer diante dele,
não como amigo,
mas como um devedor, sem crédito
e sem credenciais.
De agora em diante,
és responsável pelo destino
da tua alma:
este bem tão grande que Deus morreu
para salvá-la,
tão fácil de ir parar ao inferno
que tu mesmo a podes lançar ali.
Não precisa nem mesmo
um gesto da tua parte
para que isso aconteça.
Basta que, indiferente e covarde,
deixes à espera o Senhor do céu
e da terra
que, humilde e  manso repete,
como há vinte séculos,
no caminho de Damasco:
 -  Porque me persegues? 
Eu sou Jesus, que há dois mil anos
espero por ti.

(Myrtes Mathias - no livro - Encontro marcado)

2 comentários:

Rosa disse...

Olá Viviana.

Muito bonito e interessante este poema, gostei...


Boa tarde para vocês.

Abraços.

Viviana disse...

Olá Rosa

Também gosto muito deste poema. Já vim aqui lê-lo várias vezes...

Um abraço
Viviana