segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Estamos no tempo das castanhas



    As castanhas no ouriço - Fonte da imagem: http://www.tudosobreplantas.net/332-castanheiro-castanhas/

Quando  vejo castanhas, ou um castanheiro, imediatamente o meu pensamento voa para a minha infância e para o souto (conjunto de castanheiros)  do meu avô Serafim, em Vilela - Cabeceiras de Basto.

                          
                          Eis um belo exemplar.http://plantamania.wordpress.com/2010/03/26/castanheiro/

Como estamos no tempo das castanhas, decidi  dedicar-lhe hoje este espaço.
Pesquisando na net encontrei no site da Câmara Municipal de Mirandela bastante informação sobre elas, a qual partilho aqui com os amigos.
Aqui está:

«Com o Outono chegam as castanhas assadas. Sabia que as castanhas, que actualmente são quase um pitéu, tiveram, noutros tempos, uma enorme importância na dieta dos portugueses? No século XVII, eram mesmo um dos produtos básicos da alimentação dos beirões e transmontanos, chegando, se necessário, a substituir o pão ou as batatas.

A castanha é usada na alimentação desde tempos pré-históricos e a respectiva árvore - Castanea sativa  -  foi introduzida na Europa há cerca de três mil anos. Contudo, no livro de Jorge Lage, "Castanea...", no sub-capítulo, "O castanheiro em Portugal", na página 35, ao citar o mais importante botânico nacional vivo, Prof. Jorge Paiva, refere-se que os estudos polínicos levados a cabo na Serra da Estrela provam o contrário, apontando para uma data bem mais recuada, e hoje é considerada uma árvore autóctone.

A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Mas, embora seja uma semente como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido (um hidrato de carbono), o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte potássio.

As castanhas são comidas assadas ou cozidas com erva-doce. Mas, antes de cozinhadas, deve-se retalhar a casca. Como se pode ver no quadro, têm bastante água e, quando são aquecidas, essa água passa a vapor. A pressão do vapor vai aumentando e "empurrando" a casca e, se esta não tiver levado um golpe, a castanha pode explodir.

O amido é uma reserva de energia das plantas e existe, sobretudo, nas raízes e nas sementes. Surge com uma estrutura coesa e organizada, com zonas cristalinas e outras amorfas, chamada grânulo.

Quando cozinhamos alimentos com elevadas percentagens de amido um dos objectivos é torná-los digeríveis. A frio, a estrutura do amido mantém-se inalterada. Mas, quando é aquecido na presença de água (e a castanha contém água na sua constituição), grandes modificações ocorrem. A energia térmica introduzida enfraquece as ligações entre as moléculas do amido, a estrutura granular "relaxa" e alguma água penetra no interior dos grânulos, que incham, formando um complexo gelatinoso com a água. É isto o que acontece quando cozinhamos castanhas e lhes altera a textura.

A recolha de dados para este trabalho centralizar-se-á sobretudo na excelente obra de Jorge Lage «Castanea – Uma Dádiva dos Deuses», cuja publicação teve o apoio das Câmaras Municipais de Valpaços e de Mirandela.

Existem várias espécies de castanha. Em Bragança as mais comuns são a camarinha, a judia, e a longal ou enxerta.

A castanha tem aplicações na medicina. As folhas, a casca, as flores e o fruto têm sido utilizados devido às suas propriedades curativas e profiláticas, adstringentes, sedativas, tónicas, vitamínicas, remineralizantes e estomáquicas.
 Pelo seu valor nutritivo e energético, era utiliza outrora em vários estados de mal-estar e doença. É também tónica, estimulante cerebral e sexual, anti-anémica (castanha crua), anticéptica e revitalizante. Para afinar as cordas vocais e debelar a faringite e a tosse nada melhor do que gargarejos com infusão de folhas de castanheiro ou de ouriços.

A castanha constitui um tema para ditos, lengalengas, canções, quadras e contos populares, sobretudo no Nordeste Transmontano.»

Recolhi também alguns dos muitos "pensamentos" sobre as castanhas  que são publicados nesse site:

- As folhas de castanheiro andam sete anos na terra e depois ainda voam.
 - Castanha que está no caminho é do vizinho.
 - Em Setembro, antes de chover, o souto o arado quer ver.
- Mais vale castanheiro, que saco de dinheiro.
- O ouriço abriu, a castanha caiu.

 (http://www.cm-mirandela.pt/index.php?oid=3624)

Há muito mais informação sobre a castanha neste site. Se estiver interessado em saber mais clique aqui.


10 comentários:

Maria disse...

Ai o que eu gosto de castanhas. É um pitéu!

Abraços.

Rosa disse...

Lindo post.

A ramagem, os ouriços, as castanhas, tudo é igualmente lindo.

Adoro castanhas, cozidas, assadas, cozinhadas, a acompanhar a carne assada são uma delicia.

E como não tenho nenhum castanheiro no quintal, mas tem o vizinho, então faço meu o ditado: Castanha que está no caminho é do vizinho.

Viviana, tenha uma tarde repousante.
Abraços.

Viviana disse...


Querida Mimi

Tenho ali 6 castanhas que a Clara me trouxe. Tem 2 anos.
Acho que vou comê-las á moda de criança - cruas.

Custa-me dar quase 5 euros por um quilo...
Vão enbaratecer.
Beijos
Viviana

Viviana disse...

Querida Rosa

Sim, amiga, tudo é belo no castanheiro e nas castanhas.

Nós sabemos bem como elas são deliciosas.

Viu' Como o provérbio se adequa?

Beijos para essa família linda

Viviana

manuel marques Arroz disse...

Muito interessante.
Por aqui(Bélgica) estão a 9 euros o kg.

Abraço.

Viviana disse...

Meu caro Manuel

Bem carinhas por sinal!

Um abraço e uma boa semana
Viviana

esperança disse...

Olá! Minha querida maninha de bom coração, mais uma vez vim aprender com o tem lindo poste, desta vez sobre as castanhas que tanto gosto.
Quando éramos crianças e que a nossa querida e saudosa mãe cozia castanhas naquela grande panela de esmalte azul, era para o almoço de nós os 6, e ninguém reclamava, todo o mundo gostava do almoço, até para ti, era um festival…Só que a nossa mãe não fazia tantas vezes como gostaríamos que fizesse. Graças a Deus por esse tempo tão bom!!!...Como é bom recordar!!!...
Comi-as, duas vezes lá em Bienne na Suíça, grandes e deliciosas a vale…Muito, mas mesmo muito melhor do que as que tenho comprado cá, mas a 12 Francos o quilo. Eram tão boas! E a pele de dentro saiu tão bem! Que achamos bem empregue o dinheiro.
Tem, tenhamos todos, uma noite tranquila.

Aproveito para deixar um xi-coração aos teus amigos, que também são meus amigos, e dizer que cheguei ontem á noite.


Viviana disse...

Querida maninha Esperança

Tens razão...Tantas e tão boas recordações!

E lembras-te dos magustos promovidos pela Igreja Baptista de Leiria, onde se assava um saco cheio de castanhas, naquele pinhal para os lados da Cruz da Areia?

Eram momentos de convívio muito bons!

Que bom que já regressáste da Suiça. Já tinha saudades...

Beijinhos e uma boa noite para ti e para o João Pedro
Viviana

carmen disse...

Me lembra dos natais em casa...

Meu pai amava castanhas portuguesas cozidas ou em doce, amassadas. Não me lembro o nome do doce.Ah! Marrom glacê, acho

bjs, Viviana

Viviana disse...

Querida Carmen

Que saudades, amiga!

Espero e desejo que tudo vá bem consigo e com a sua família.

Claro que já está aposentada, não?

E o "sonho", como vai?

Um grande, grande abraço, minha boa amiga
Viviana