quinta-feira, 27 de maio de 2010

Momentos muito especiais na sala de jantar da casa dos meus pais.


Contra-capa do livro de poemas
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Terça-feira é o dia em que habitualmente vamos á aldeia. A minha irmã Terezinha passa por aqui e leva-me a mim e ao Jorge. Fazemos uma paragem em Pero -Pinheiro para tomarmos o pequeno almoço na Pastelaria Sol, passamos depois pelo mercado de Montelavar onde compramos flores frescas para colocar na campa do pai e da mãe, e depois seguimos para Maceira.
A primeira coisa que fazemos é abrir todas as janelas para arejar a casa. Depois vamos ver como estão as flores, os arbustos e as árvores de fruto.
Geralmente, eu cuido do jardim e do pomar, que fica na frente da casa, ao lado da casa e atrás da casa, mais propriamente no quintal, e a Terezinha ocupa-se da casa propriamente dita.
Pois bem, esta última terça-feira andava eu toda entretida no pátio a limpar os vasos e a arrancar as ervinhas, quando a minha irmã me veio dizer: «Viviana, está ali na sala o Sr. Chico da Carreira que quer falar contigo.»
Deixei tudo e fui. Só o facto de ouvir o nome dele fez-me sorrir e criou em mim uma enorme expectativa, pois já sabia que ia viver um momento muito especial, muito bonito. O senhor Chico da Carreira - ou Franciso Magueijo - é poeta, poeta popular e pintor.
Aos nove anos era menino-pastor de ovelhas na sua terra natal - Juncal do Campo - Castelo Branco. Aos vinte e pouco veio para Maceira e foi durante muitos, muitos anos, motorista da Carreira (autocarro) - Lisboa - Maceira.
Lembro-me muito bem de viajar com ele na minha juventude.
Mais tarde comprou um táxi, que era o único táxi da aldeia.
Nesse táxi, verde e preto - que foi durante décadas a cor "oficial" dos táxis, o Chico da Carreira como era conhecido, transportava o meu saudoso pai, muito, muito doente, para o Instituto de Oncologia onde fazia tratamento. Manhã bem cedo lá estava ele á nossa porta, e com um carinho imenso repleto de ternura, ajudava a deitar o pai no banco de trás e assim o levava com todo o cuidado até Lisboa. Foi assim até o pai não precisar mais do táxi, pois ficou internado até o Senhor Deus o levar para o céu, há muitos, muitos anos.
O Sr. Chico da Carreira começou muito cedo a escrever poesia e a pintar, creio que aos vinte e poucos anos. Hoje tem setenta e quatro.
É um poeta triste, pois a vida trouxe-lhe muito sofrimento e muitas lágrimas.
Para além do pai e da mãe que partiram, nos últimos anos morreu-lhe o neto querido, de vinte e dois anos, num acidente de carro; pouco depois morreu-lhe o filho, pai desse neto, com quarenta e tal anos, de morte súbita, ao volante de um táxi, enquanto esperava por uma cliente que estava na farmácia a comprar um medicamento. A seguir partiu a esposa, isto, há cerca de três anos.
Pois bem, foi este homem que veio visitar-me na casa da aldeia.
É sempre uma emoção quando nos encontramos. Eu falo o menos possível para ter o prazer de o ouvir, pois até na sua maneira de falar há poesia. Aliás, todo ele é poesia.
Cumprimentei-o comovidamente, respeitosamente, pois ele está sempre associado ao meu querido pai.
Sentei-me numa cadeira á mesa da sala, junto dele.
Ele veio apresentar-me, e oferecer-me, com uma dedicatória muito especial, o seu quarto livro de poemas - O AMOR PERFUMA A VIDA - que acabou de ser editado. Claro que eu já possuo os outros três anteriores.
Falou do livro, falou dos poemas, mas o momento alto foi quando ele declamou de còr três poemas seus preferidos. Fê-lo de uma forma magnífica! Eu ouvi-o em lágrimas sentidas...
Foi um momento único que eu jamais esquecerei.
Aconteceu naquela sala!
Quantas coisas belas, quantas alegrias, quantas recordações...tiveram lugar naquela sala. A humilde sala da casa dos meus saudosos pais.

8 comentários:

Rosa disse...

Olá amiga Viviana.

Por tudo o que nos relata "por tudo o que a Viviana já nos tinha contado" fique com vontade de obter as obras do sr. Chico.
Quantos valores escondidos...
Quantas pessoas que são tesouros, sem nomes nas placas das ruas ou das praças...

Viviana, tenha uma feliz tarde.
Beijos

esperança disse...

Boa noite minha querida maninha de bom coração.

Então O Sr. Chico da Carreira foi te visitar. Tens razão ele para nós é muito especial, por vários motivos e mais um...Tenho uma grande estima por ele...Como tu, também eu viajei muitas vezes, na carreira conduzida por o Sr. Chico. Há anos e anos que não o vejo!!... Tenho pena dele! Perdeu o filho! Perder um filho é a pior das coisas que pede acontecer aos pais, nem é bom pensar!! Deus nos livre.
Vê bem! Um homem simples, poeta e pintor, quem diria?!?! Ele já deve escrever há muito... Pois já publicou 4 livros, é obra!!!

Que tenhas descanso, que consigas dormir
Esperança

manuel marques disse...

Momentos especiais também o são quando passo por aqui.

Bom fim de semana

Abraço.

Marlene Maravilha disse...

Eu imagino este momento cheio de emocao e ternura. Temos que vive-los mesmo, com grande intensidade, como o fazes.
Tu és muito especial! Assim como este poeta, que deve ter nos seus poemas a alma limpa e cheia de sabedoria para continuar saudoso das perdas, mas vivo, e agradecer por isto!
beijos queridissima, e um fds abencoado!

Viviana disse...

Querida Rosa

Acho que vale mesmo a pena tê-las, amiga.

Creio que alguns dos livros esgotaram, tanto assim, que a pedido, ele colocou neste quarto livro, alguns poemas dos outros livros anteriores.

Sã pessoas como o Sr.Chico da carreira, e como a Rosa. eo Helder...que enriquecem a nossa vida.

Obrigada por tudo.

Um bijo
viviana

Viviana disse...

Olá minha linda maninha Esperança

Sei, que tal como nós todos "da casa dos nossos pais", como tu dizes tantas vezes...temos uma enormeconsideração e estima pelo Sr Chico da Carreira.

Acima de tudo é um homem bom.

Devemos ser gratos a Deus por ele.

Um abraço

viviana

Viviana disse...

Olá Manuel

Agradeço-lhe a frequência com que passa por aqui.

É muito incentivador.

As suas palavras sensibilizam-me, creia.

Tenha um bom fim de semana

Um abraço

viviana

Viviana disse...

Querida Marlene

Não consigo pensar em si, sem sorrir.

É uma flor colorida!

Foram momentos muito especiais, sim.

Eu procuro agarrar e saborear as coisas e os momentos belos da vida!

Afinal são eles que nos impulsionam para a frente...

Não sei dizer porquê, mas o seu, e o meu, DEus...tem sido rico para comigo, nesta área da minha vida.

Desejo-lhe um bom fim de semana e a continuação das bençãos e direcção do Senhor na sus preciosa vida.
Um beijo

viviana