quinta-feira, 16 de junho de 2011

Agricultura - Pagar para não produzir


Campo de milho

Este tema esteve em foco a semana passada na comunicaçãp social. Talvez um pouco fora de tempo, mas ainda assim, creio que a tempo, eu, como cidadã deste país, tenho a obrigação de dizer alguma coisa sobre este assunto estranho e perturbador com que somos confrontados.

Eu não sou péssimista e gosto sempre de pensar que talvez as coisas não sejam assim tão negras como as pintam; mas tenho que admitir que talvez por isso, eu seja um tanto ingénua, o que leva a que seja apanhada de surpresa por acontecimentos como este.
Eu sabia que no início da entrada de Portugal para a União Europeia, foi pago muito dinheiro"aos agricultores?"para não produzirem, e a partir daí, começámos a ver hectares e hectares de solo sem qualquer produção. Conhecia o panorama anterior em que tudo era "amanhado" e qualquer pedacinho de chão era aproveitado para uma pequena horta ou um pequeno pomar, por isso, tornou-e muito doloroso e preocupante para mim, assistir a esse abandono das terras.

O que eu não sabia, e aqui entra a minha ingénuidade, é que durante estes anos todos, até hoje, se continua a pagar para não produzir. Imaginem! Quando, segundo li, importamos setenta por cento do trigo que comemos e, não só, a fruta estrangeira enche quase por completo as prateleiras dos hipermercados e, até das pequenas mercearias que ainda vão sobrevivendo. Esta semana, eu, que "tenho a mania" de só comprar produtos portugueses, no sector da fruta onde fui ás compras, apenas encontrei no meio daquela enorme extensão, SÓ TRÊS PRODUTOS PORTUGUESES!: Umas perinhas rocha (eram pequenas - são as melhores) saborosíssimas, doces e crocantes; kiwis (para meu espanto) e laranjas. Nem um pero ou uma maçã portuguesa.

Depois, ouvi nas notícias, que os agricultores que recebem mais incentivos á agricultura, vivem todos na zona de Cascais - lugar chique onde vive a fina flor.
Depois, lembrei-me, que aqui há uns anos, visitando com o meu tio Francisco, irmão do meu pai, agricultor de uma vida inteira, nas serranias do Minho, as suas terras, admirando o esforço brutal que aquele homem já velho e doente fazia para subir a pé, até lá cima e carregar os materiais e as colheitas para baixo, olhando a floresta por ele plantada nos terrenos que recebeu do seu pai, meu avô Serafim; ele dissse-me: "Nunca recebi um tostão da União Europeia, embora várias vezes o tenha solicitado, mas os grandes agricultores daqui, esses sim, receberam e recebem muito.

Agora, no meio disto tudo, que pelos vistos se mantem tal e qual, vêm as autoridades deste país incentivar o retorno á agricultura. Eu pergunto: Em que condições? O pior de tudo é que dado este historial triste da agricultura em Portugal, não há gente nova a interessar-se por esta área; a maior parte dos "bons agricultores", morreram, ou estão velhos e incapazes, como é o caso do tio Francisco que já abendonou o amanho das terras há vários anos. Vive triste, sem ver a continuidade ao cultivo da terra, que recebeu dos pais e em que deu tudo por tudo a vida inteira, sem ver o sonho realizado.
Eu espero, eu desejo, que este novo governo traga consigo uma visão e actuação totalmente diferente para com a Agricultura e para com os "verdadeiros" agricultores.

6 comentários:

Rosangela Moura disse...

Oi amada! Vim conhecer o seu cantinho, e achei lindo. Parabéns! Deus te te abençoe. Mulheres no peniel

Viviana disse...

Olá, Rosangela

Que bom que você veio!

Seja muito bem vinda.

Agradeço, de coração, a sua visita e as suas boas palavras aqui deixadas.
Que o nosso Deus a abençoe também.

Um beijo

viviana

carmen disse...

Vivi:

Então os agricultores forma pagos para não produzirem para poderem ser aceitos na União Européia?!?!?!

Muito estranho... Isto acaba por deixa-los mal acostumados...

Aqui o incentivo é para produzirem, mas os mais "produtivos" (leia-se "ricos") recebem mais e acabam por desviar boa parte destas verbas para fins próprios outros... E os pequenos produtores teem pouco acesso a este empréstimos e quando vão paga-los, muitas vezes a produção não condiz com o valor dos juros, quebrando-os...

Foi o que aconteceu com o meu irmão por diversas vezes, pois não tem um seguro caso haja uma enchente, uma seca terrível, e assim eles perdem as suas terras para os mais poderososa que teem "costa largas" entre os políticos

Uma vergonha daqui, outra vergonha daí...

bjs consoladores

acácia rubra disse...

E assim está o nosso país, inculto e improdutivo... em todos os aspectos.

Beijo

Viviana disse...

Querida Carmen

Sim, amiga, é mesmo isso. Pagos para não produzir! Para que países grandes como a Alemanha e a França possam inundar os nossos mercados com os seus produtos que ficam a milhas...na qualidade e valor dos nossos!

Creio que o que aconteceu com a nossa agricultura e a nossa frota pesqueira (abateram-se os mehores navios), foi terrível.

E agora, estamos como estamos, nesta triste situação de estender a mão "lá fora.

Enfim.. que Deus oriente e dê sabedoria a este novo governo que começa...

Um grande abraço, amiga

Viviana

Viviana disse...

Olá, Acácia

Sim, "inculto e improditivo"

Quem diria...

Um abraço, boa amiga

viviana