segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Bem Está!

Do blogue da minha querida amiga e irmã em Cristo - Mimi - trouxe este inspirativo e belo texto, a fim de o partilhar aqui com os amigos. Afinal de contas, as histórias bonitas e exemplares, de vidas, devem sempre ser contadas.

"Para mim é uma honra ter conhecido e privado com grandes servos de Deus que, vivendo em condições sociais, políticas e religiosas bem diferentes das actuais, nunca deixaram de lutar pela divulgação do evangelho.
Hoje venho cumprir uma promessa que aqui fiz (20.10.12) e falar deEric Barker.

Eric Barker 
Nascido num lar cristão, em Inglaterra, a 23 de Janeiro de 1899, entregou a sua vida a Cristo quando tinha 7 anos de idade.
A partir daí, apesar de ainda criança, fez da oração a sua arma. Este foi o homem que, com uma doçura incomparável, se dirigia a Deus com o seu belo sotaque inglês: “Aba, Pai, meu Paizinho querido”.

Desde a adolescência colaborou activamente na igreja, a nível da Escola Dominical e na realização de cultos ao ar livre, mas foi aos 21 anos, depois de ter servido na marinha durante a I Guerra Mundial, que decidiu dedicar a sua vida à obra do Senhor. 
Entretanto, sentindo-se atraído pelo campo missionário, veio para Portugal, por influência do testemunho de seu pai que tinha estado no nosso país e conhecia as carências espirituais aqui existentes.

Uma vez em Portugal, teve contacto com outros dedicados obreiros ingleses a residir no nosso país, aprendeu português com José Ilídio Freire (Igreja das Amoreiras - Lisboa) e ao fim de três meses já pregava na nossa língua. Foi nessa altura que rumou ao norte, para a zona de Ílhavo, onde já havia alguns crentes e começou a fazer cultos nas casas e ao ar livre. 
Aos 24 anos, depois de ter alargado a sua acção a outras localidades do distrito de Aveiro, fixou ali residência e deslocou-se a Inglaterra para casar.
Numa altura em que Portugal vivia no obscurantismo espiritual e havia perseguição religiosa, Eric Barker foi um dos bravos que nada temeram, mesmo perseguido, insultado e apedrejado, continuou fiel ao seu Deus. Com uma carroça puxada por uma mula (oferta de alguns crentes da zona sul), percorreu vários lugares do país para distribuir folhetos, vender Bíblias, pregar o Evangelho e cantar hinos tocando ao som do seu bandolim.
Com todos os obstáculos, o trabalho ia dando frutos, almas rendiam-se aos pés de Cristo e formavam-se  comunidades de culto.

Entretanto, teve de arranjar um trabalho secular (contabilista) para sustentar a família que estava a aumentar (chegou a ter oito filhos), mas nunca deixou o serviço para que Deus o chamara. Em 1935 fixou residência na Foz do Douro e adaptou o piso inferior da casa a salão de cultos.
Em 1941, no apogeu da II Guerra Mundial, aceitou a sugestão do consulado britânico e embarcou toda a sua família (mulher, filhos e outros parentes) com destino a Inglaterra. Porém, o barco foi torpedeado por um submarino alemão e afundou-se. Toda a família sucumbiu.
Eric Barker recebeu a notícia a um Domingo… quando chegou a hora do culto foi para a igreja, pregou e, serenamente, participou: “Todos os meus queridos já chegaram ao lar Celestial!”

Sem se deixar afundar na tristeza das perdas, sem medo da repressão político-religiosa, sem temer as dificuldades sociais provenientes da guerra, manteve-se firme, dedicando todo o seu tempo à defesa do Evangelho e à salvação de almas. Toda a zona de Coimbra, Aveiro e Porto, foi alvo preferencial da sua acção e muitas das igrejas existentes tiveram a sua influência.

Em 1946 Eric Barker casou em segundas núpcias com a jovem Beryl (18 anos mais nova) e Deus deu-lhe mais cinco filhos. Juntos prosseguiram na realização da obra, dando formação, pregando e dirigindo vários trabalhos de consolidação do ministério.

Foi, juntamente com outros crentes de todo o país, um dos grandes impulsionadores da Convenção Beira-Vouga, onde algumas vezes o ouvi pregar. 
Também, até à minha juventude, o ouvi e mantive contacto, sempre que se deslocava ao sul. 

Era uma inspiração!

O meio evangélico português muito deve a este servo de Deus, gratidão que se estende a vários outros missionários ingleses que trouxeram a Palavra de Deus até nós no princípio do século passado.

Erick Barker morreu a 09 de Julho de 1989". 
“E o seu Senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.” – Mateus 25:21
Mimi - no blogue - http://maria-elevive.blogspot.pt/

4 comentários:

Rosa disse...

Olá Viviana.

Mas que testemunho entusiasmante, que lição de vida nos deixou o sr. Barker.

É nestes momentos que penso, quão longe estou de poder testemunhar com esse empenho e dedicação o Evangelho.


" Que as vossas boas obras brilhem também para serem vistas por todos, de tal maneira que louvem o vosso Pai celestial".


Viviana, tenha uma noite tranquila (hoje já mais calma)

Abraços.

Orlando Arraz disse...

Muito interessante e maravilhosa a história deste servo de Deus. É uma lição profunda para todos, especialmente para os que têm sofrido perda de familiares. Diante de sua perda, muitas das nossas são tão mesquinhas e nos abatem tanto. Este homem é mais um dos heróis da fé de Hebreus 11.

Viviana disse...

Querida Rosa

Sabe que, desde que descobri este texto sobre a vida e testemunho do Missionário Barker, não me saiu do pensamento?
Tocou-me muito.

Que ele possa servir de inspiração e coragem para todos que andam com Cristo.

Um abraço
Viviana

Viviana disse...

Querido Irmão Pastor Orlando Arraz

Li ao Pastor Jorge Leal, meu marido, o seu comentário aqui deixado, e ele concorda plenamente consigo! É um Herói da Fé que poderia constar na Galeria, em Hebreus 11.

Quantos haverá por esse mundo fora...que nós desconhecemos!?

Para mim, é uma inspiração.

Um grande abraço e o desejo de muitas bençãos sobre o irmão Pastor, a sua linda família e o seu ministério.
Viviana